quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Esporte, política e o espetáculo dos protestos.



Os esportes já são utilizados como propaganda política há tempos. A Copa da Argentina de futebol, por exemplo, em 1978, teve diversas críticas sobre a manipulação de resultados e regras para favorecer a seleção nacional e apoiar a propaganda da ditadura militar na época.


Engraçada a coincidência de que em 2014 teremos Copa do Mundo e eleições presidenciais: imaginem a propaganda embalada em "verde e amarelo" para o candidato (a) da situação recebendo a seleção canarinho vitoriosa em casa? Bela propaganda, não é?


Na Ucrânia, num protesto da organização chamada Femen, que faz manifestações usando mulheres com seios à mostra para chamar a atenção para suas causas, uniu espetáculo, política e esporte. Desta vez a ação de protesto foi em frente à sede da Federação Internacional de Hóquei no Gelo, na Suíça. Seminuas, as manifestantes carregavam cartazes contra o regime ditatorial de Alexander Lukashenko, da Bielo-Rússia, no poder desde 1994 e que costuma perseguir e encarcerar seus opositores.


Aproveitaram o evento para também questionar a Federação Internacional de Hóquei sobre fazer um campeonato internacional num país controlado por uma ditadura. Causa difícil, mas iniciativa e mobilização necessária. Direitos Humanos devem ser utilizados com arma ideológica e de ação política na minha opinião. Não importa aonde. De qualquer forma, se vai fazer efeito ou não, é assim que podemos saber mais sobre a distante Bielo-Rússia e seu regime opressor.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A política brasileira vai ao entretenimento.

O artigo de hoje no jornal Esatdo de São Paulo, assinado por Eugênio Bucci traz uma análise imperdível sobre a política, a comunicação e o entretenimento. Sobre como a ficção tem pautado a realidade política, não só no Brasil, colocando o entretenimento como estratégia de poder e comop uma dimensão capaz de dar novos contornos ao "espetáculo" e sua relação com as autoridades públicas.


Veja esse trecho e não deixe de ler o artigo na íntegra:"Há quem diga que é por oportunismo que os políticos reagem solícitos aos estímulos do espetáculo. Não é. Mais que oportunismo, cristalizou-se um deslocamento nos fundamentos mesmos do discurso político. A política não tem outra saída. Hoje, no que chamamos de Ocidente, os domínios da emoção popular não pertencem mais à religião, assim como já não pertencem ao fulgor das mobilizações de massa: elas foram monopolizadas pelas formas de representação típicas da indústria do entretenimento. A política, que precisa tocar a emoção do povo, teve, então, de virar entretenimento. (Eugênio Bucci, Estadao.com.br/opiniao, 26.01.2012)"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Tudo pelo Poder.



O filme de George Clooney "Tudo pelo Poder" ainda está em cartaz e é uma aula sobre os bastidores de campanhas políticas e a rotina estressante dos comunicadores que defendem a "imagem" dos candidatos. No filme, o personagem principal, um assessor de comunicação interpretado por Ryan Gosling, apesar de seu talento técnico, se vê num emaranhado de relações e conflitos humanos incontroláveis.


Ao longo do filme, além de entendermos mais sobre as prévias eleitorais do sistema político americano, vamos descobrindo que as crises são inevitáveis, pois os deslizes morais, a postura ética, as emoções e a briga de egos do dia a dia podem comprometer plataformas políticas aparentemente bem intencionadas.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Comunicação interna para a PM.




O jornal "O Globo" divulgou, hoje, foto de um cartaz de comunicação interna voltado para os soldados da PM do Rio de Janeiro. A peça apóia uma proposta de valorizar a ética e incentiva a reflexão sobre as escolhas que um policial militar deve fazer no exercício de sua função.


Seu texto questiona se o policial deseja ser como um herói ou visto com vergonha pela a sua família, mostrando uma foto onde um soldado fardado está algemado e recebe a visita de sua família. Uma peça sem requintes de design ou direção de arte, mas capaz de passar um recado certeiro, impactando a consciência de cada um.


Deveria ser um modelo e ser reproduzida para todos os órgãos governamentais e instituições de Estado. E quem sabe, para a própria sociedade como um todo. Afinal, sempre que existe um "corrupto" existe também um "corruptor" do outro lado do balcão.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Relações governamentais.

Diante da dinâmica que a comunicação vivencia, seja nas áreas de marketing, operacional ou comercial, nas relações comunitárias, nas relações internacionais entre empresas e clientes, nas questões da sustentabilidade e mesmo na comunicação interna, penso que o comunicador empresarial deve ser antes de tudo um mestre em relações humanas.Para isso, o diálogo e a psicologia são “equipamentos” vitais.


Mas, pra começo de conversa, é necessário gostar de pessoas e saber lidar com variados públicos de interesse e suas demandas transversais, em situações que não estão nos livros das universidades ou nos manuais técnicos.Nas relações governamentais, por exemplo, outro campo de crescente atuação do comunicador empresarial, podemos perceber todas essas variáveis. Neste segmento, a exigência é de uma grande flexibilidade, muita paciência, criatividade, entendimento de riscos e cenários e senso político extremamente habilidoso. Na verdade, uma prática já chamada de “diplomacia corporativa” pelos estudiosos das relações internacionais, mas que, peço licença, vou utilizar aqui na dimensão local da política brasileira.


Nas esferas municipais, estaduais e federais (e também em esferas internacionais – lembremos que grandes marcas brasileiras estão indo “globalizar” outros países e mercados), o comunicador enquanto um diplomata empresarial é um cuidadoso articulador político. Neste sentido, “fazer política” com o objetivo de buscar negociações éticas e transparentes, exige uma inteligência relacional capaz de valorizar o diálogo interpessoal de maneira a criar vínculos duradouros.Evidentemente, o conhecimento de leis, hierarquias, funcionamento do Estado e da administração pública também são questões fundamentais para um profissional de comunicação exercer, de maneira eficiente, suas funções neste segmento.


Cada vez mais, grandes marcas e empresas lidam com variáveis políticas locais que podem afetar resultados e impactar projetos e investimentos de grande envergadura. Isso, sem falar em situações de crise...Antigos modelos de assistencialismo e do nefasto “toma lá, dá cá”, que pautavam estilos viciados de relações governamentais, estão sendo colocados em xeque pela própria evolução da cidadania e da fiscalização da sociedade e da imprensa.


Nesse ambiente, o comunicador como um diplomata empresarial, mesmo que atuando no seu próprio país,precisa estar alerta para navegar em meio a disputas partidárias, jogo de interesses, na força de mobilização e influência das mídias sociais e no conhecimento das alianças de poder.Nesse sentido, também se faz vital que, dentro da empresa, o comunicador encontre apoio da organização e da liderança. Que tenha um espaço confiável e seguro para expor questões sensíveis e assim descortinar soluções políticas alinhadas aos valores, à visão e à missão da empresa. As relações governamentais são, certamente, uma oportunidade para fortalecer a cidadania corporativa e a responsabilidade social, construindo pontes entre a iniciativa privada e os poderes públicos.


Um permanente desafio para os comunicadores de um Brasil que descortina novas perspectivas de investimento, interioriza seu crescimento econômico e expande suas influências, muito além das suas fronteiras nacionais.

sábado, 29 de outubro de 2011

Comércio "ético"?

A queda e a execução sumária do coronel Muamar Kadafi pode ter finalizado uma etapa da revolução em curso na Líbia. A reconstrução estrutural e insitucional do país vai demorar muitos anos. As imagens de um Kadafi ensanguentado em seus minutos finais de vida correram o planeta. Desdmon Tutu, arcebispo emérito da Cidade do Cabo (África do Sul) e Nobel da Paz declarou que a "justiça com as próprias mãos nos torna mais desumanos". Concordo.


Trocar uma selvageria por outra, um tipo de violência tribal por outro tipo de violência tribal, um governo despótico por outro nos faz refém de um modelo mental baseado na guerra e na truculência - o que só interessa aos produtores e vendedores de armas e seus parceiros comerciais.


Por falar em parceiros comerciais, a reflexão aqui parte da pergunta: qual é a responsabilidade das empresas que decidem trabalhar em mercados "garantidos" pelas mãos fortes de ditadores de variadas espécies, governos notoriamente corruptos e que desrespeitam os Direitos Humanos?


Porque sabemos que muitas declarações de valores ilustram salas de reuniões e relatórios de sustentabilidade mas acabam esquecidas na vivência diária das empresas exatamente devido às incoerências administrativas. Decisões que privilegiam resultados econômicos imediatos, de lucros aparentemente "garantidos" podem carregar uma história suja por trás de sua contabilidade. Aliás, a Profa. Dra. Patrícia Almeida Ashley já perguntou em recente encontro na PUC Rio: "Qual é a história do seu lucro?".


Nesse sentido, foram várias empresas brasileiras e também de diferentes países e ramos de negócios que estreitaram suas relações com a ditadura de Kadafi, assim como com outros países subjugados pela mão de ferro de tiranos. O lucro valeu a pena? O risco humano teve um preço justo? Dinheiro não tem bandeira, é um nômade amoral?


Fica aqui a questão.

sábado, 20 de agosto de 2011

Que tal caçar jornalistas?



A imprensa incomoda muita gente com suas opiniões, suas reportagens, seus exageros, seu sensacionalismo e sua influência política, cultural, social. Erros acontecem, às vezes até propositais, de má fé. Veículos de comunicação são usados para defender algumas causas e atacar outras, defender alguns grupos e denegrir outros.



Por isso, é preciso garantir a imprensa livre, sempre. Garantir a pluralidade de opiniões, as diferentes versões dos fatos. Parece que a "verdade última é inatingível" (lamento, mas esqueci o autor dessa frase) e portanto quanto maiores as chances de se informar em diferentes sites, jornais, revistas, publicações...melhor!



Enfim, defendo o direito da opinião, da liberdade de expressão e da investigação. Muitas vezes é a imprensa quem denuncia aquele escândalo, aquela negociata. Muitas vezes faltam provas para a condeñação e muitas vezes será dado o direito de resposta (merecido) para quem se sentir ultrajado, difamado. Mesmo assim, é melhor ter a liberdade de expressão garantida diante dos poderosos. Por isso, a caça aos jornalistas promovida através da censura e do abuso do poder é um esporte pouco saudável para as democracias.



Porque convenhamos, quem quiser uma imprensa puxa saco do poder deve chamar uma boa agência de propaganda e colocar um anúncio bem bonito estampado nos jornais. Imprensa foi feita para esclarecer, questionar, colocar os pingos nos "is" e jogar mais luz sobre questões pouco transparentes.