sexta-feira, 5 de maio de 2017

#Venezuela urgente 1.

Seamos claros: al régimen a estas alturas no le importa si para mantenerse en el poder debe liquidar a todos los que se le oponen y luego abrirles un proceso post mortem por suicidio colectivo. Debemos tener claro que con gente así estamos lidiando. Es el cinismo sin límites, mezclado con la crueldad sin límites. Esta gente quiere que desconfiemos de nuestros propios sentidos, que no demos crédito a lo que ven nuestros ojos, que veamos negro lo blanco y, si no lo ves, te muelo a palos hasta que dé tanta hinchazón en los ojos que lo veas todo negro.
Ciertamente, nosotros estamos en dictadura desde el mismo momento en que el padre del proyecto “juró” la Constitución por primera vez, solo que era una dictadura que contaba con los votos de un pueblo cuya ignorancia él supo surfear en cada ataque a la libertad. No nos caigamos a coba: aquí la dictadura se eligió democráticamente y lo malo de optar democráticamente por la esclavitud es que el proceso no es reversible.
Se convocó en 1999 a una Asamblea Constituyente al margen de la Constitución de 1961. Fue un acto inconstitucional, pero como el líder era chévere y popular, solo un puñadito se opuso. En esta primera fase, a la que podríamos llamar “dictablanda”, se cerraron medios, se acabó con la libertad de prensa, con la división de poderes y con muchos otros principios democráticos. Ahora entramos en la segunda fase, la dictadura por todo el cañón (nunca tan bien dicho), para la cual la primera etapa fue el ensayo general. Pasamos de la dictadura consentida (“dictablanda”) a la dictadura detestada. Ya no habrá más votaciones porque saben que no las ganan. Viene la fase de la dictadura sin votos y con brutal represión.
Siguiendo el modelo de su antecesor, se convoca ahora a una constituyente al margen de la Constitución, pero como ahora no se cuenta con el consentimiento de un pueblo —que lanza mensajes de amor escritos en piedras— para apuntalar la dictadura, se pretende una constituyente cuyos miembros serán electos con un método novedosísimo, tácitamente anunciado: “la mitad sería escogida por nosotros y la otra mitad por mí”.
Los orígenes del constitucionalismo son remotos y están asociados a la concepción del hombre como ser libre, lo que implica la limitación del poder que se ejerce sobre él. Dijo Tomás Paine, uno de los padres fundadores de los Estados Unidos, lo siguiente: “Una Constitución no es un acto de gobierno, sino el nacimiento de un pueblo que constituye un gobierno, y un gobierno sin una Constitución es un poder sin derecho”.
En esta fase entramos los venezolanos: Venezuela ya no tiene Constitución. Dependemos de la voluntad de un hombre, a la nueva Carta Magna que se sugiere, le bastaría un artículo: “lo que diga yo el Supremo”. Irrumpimos, pues, en el salvaje escenario del poder sin derecho, en el terreno de la pura fuerza bruta. La pregunta es entonces a los que tienen por ley el monopolio de la fuerza: ¿cuál es el límite?, ¿a cuántos ciudadanos están dispuestos a aniquilar?

@laureanomar

domingo, 15 de novembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

Eugênio Gudin.

"É um sério problema de consciência para um homem honrado e patriota, que se encontra em posição importante e que só tem por guia a paixão de seu dever, qual o de saber até que ponto ele deve servir um Governo objeto de repulsa da Nação. Se é verdade que abandonando o posto, ele deixa o campo livre aos destruidores, em vez de procurar limitar o mal, também é verdade que submetendo-se a suas ordens, mais do que desejaria, ele acabará por se degradar sem nada ter impedido."
 
 
 
(Eugênio Gudin - 1886 - 1986)

sábado, 1 de agosto de 2015

Venezuela, urgente.

 
 "Dentro da Constituição há formas de sair deste desastre"
- Leopoldo López

Me parece lógico o acompanhamento das eleições na Venezuela pela OEA - Organização dos Estado Americanos. As eleições foram marcadas para o dia 6 de dezembro e ganharão forte campanha publicitária do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) diante de uma crescente possibilidade da oposição avançar ainda mais na tentativa de reverter o caos que vai tomando conta da Venezuela. O cenário para essa oposição, contudo, é delicado.Recentemente a deputada opositora Maria Corina Machado foi cassada sem ter o direito de se defender no plenário.


Em junho passado, uma manifestação de 500 pessoas pediu a libertação de Daniel Ceballos, ex-prefeito de San Cristóbal, de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas e de Leopoldo Lopez considerados pela oposição como "presos políticos" do Governo Maduro. Maduro os acusa de tentativa de golpismo e incitação à violência nos protestos de fevereiro e março de 2014, que terminaram com 43 mortos.

 
A esposa de Lopez, Lilian Tintori, participante da manifestação, assegurou que seu marido - preso em uma penitenciária militar nos arredores de Caracas desde  fevereiro de 2014 - perdeu 15 quilos e não pôde ser examinado por um médico de confiança.Também participaram da passeata Patricia Gutiérrez e Mitzy Capriles, esposas de Ceballos e Ledezma, respectivamente, assim como partidários de Leopoldo López.



Segundo país mais violento do mundo segundo a ONU, a Venezuela enfrenta uma complexa situação econômica, com uma inflação que beirou os 70 dígitos em 2014 e a falta de produtos básicos. Nesta semana, os armazéns da Polar, da Nestlé e da Cargill foram ocupados pelo exército venezuelano. talvez a lógica seja de garantir pelas armas que produtos de primeira necessidade sejam resguardados em caso de colapso total da economia. Armas ao invés de competência e boa administração nunca levaram país nenhum a progredir.


Maduro disse que essas empresas estavam sabotando a política econômica do seu governo. Ou seja, vale mesmo acompanhar as eleições na Venezuela através de organismos internacionais como a OEA e ainda observadores internacionais como por exemplo, membros do nosso Senado Federal.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Fahrenheit 451, professores e incendiários.

Não sei exatamente o motivo, mas vendo a foto de "professores" atacando a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, hoje, me lembrei de um filme chamado Fahrenheit 451. 


O filme, rodado em 1966, foi dirigido por François Truffaut. Vale a pena ver pois é cinema para nos fazer pensar. A história, escrita em 1953, pelo norte americano Ray Bradbury, nos leva a uma sociedade no qual o totalitarismo é sutil e colocado em prática através da aceitação de um modelo de pensamento e de cultura que se transformou numa ditadura do senso comum. 



Diferentemente dos livros de George Orwell e Aldous Huxley, autores que criaram suas obras a partir da brutalidade escancarada de regime totalitários como o nazista e o stalinista, Bradbury inventou um estado no qual são os bombeiros que queimam os livros! 

A analogia com a censura é óbvia e vale como um alerta para momentos imersos nos exageros do politicamente correto, na falta de argumentos para uma conversa inteligente e para bandos políticos que usam a força bruta como instrumento de intimidação.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Entre a ORDEM e a DESORDEM.


Para vivermos em sociedade devemos seguir um mínimo de ordem e de regras.  Abrimos mãos de parte das nossas liberdades em prol das liberdades alheias em um permanente convívio de equilíbrios e negociações diárias. Seja na microfísica do poder de nossas relações sociais, quanto na esfera nacional enquanto país, povo, nação.

A sensação da ordem é um sintoma de nossas rotinas cujos benefícios  são gigantescos, mas que nos recalcam e nos fazem sofrer uma vez que  precisamos, sob o império da Lei, seguir e atender a tal ordem legislativa e dessa forma controlar nossos impulsos  - desde os mais bestiais até o aparentemente mais inofensivo. Contradição cruel, dolorosa, mas necessária. Pelo outro lado, ao não seguirmos qualquer ordem geramos sentimentos incontroláveis e conflitantes muito mais severos para nossa saúde e nossa psiquê. Em grupos, por resposta ao caos diário e a insegurança cotidiana, onde o homem lobo do homem solta as amarras de seus impulsos, esse sentimento de impotência babélica nos afasta uns dos outros inviabilizando a salvação. De certo modo o afastamento justifica a violência como resposta à ameaças permanentes daquele que nos parece estranho, sejam ameaças reais ou fantasiosas. Freud já tinha escrito que éramos seres que nos excedemos a nós mesmos e que a nossa existência ultrapassaria a nossa circunstância imediata, uma vez que somos os únicos animais capazes de sonhar, imaginar e realizar um novo amanhã, apesar de tudo e de todos. 

Apesar do sentimento de espanto ou receio sobre qual será o dia de amanhã, avançamos descrentes, mas com coragem pois é a única coisa que nos resta. Viver exige coragem! Não a heróica, referente aos titãs mitológicos, mas a coragem diária dos anônimos e comuns mortais citadinos, pais e mães de família, neurotizados por suas próprias limitações inconscientes (ou conscientes) e estressados pela força do Estado - corrupto e corruptor. Avançamos tateando no escuro do túnel, sempre em busca da luz ao final da jornada. Luz que poderia ser a que Norbert Elias aponta como elemento de mediação. Precisamos de bons mediadores: inicialmente com nossas próprias fragmentações e nossas próprias inconclusões íntimas. Depois,precisamos também de ferramentas de mediação com o outro nessa selva da desordem desafiadora à ordem existente ou aparente. É aqui que a violência pode ser uma abismal alavanca para mediar conflitos de forma mais brutalizada - do mais forte sobre o mais fraco -; institucionalizada - do vencedor sobre o vencido -;   ou simplesmente desvairada - de todos contra tudo e todos tal qual guerreiam os membros do Estado Islâmico, todos homicidas e igualmente suicidas.

Pelo bem da civilidade, a virtude poderia ser resgatada como a mediação republicana - segundo defendeu Montesquieu. Mas sabemos que feras não sabem ler ou escrever, muito menos dialogar. Cabe ao homens de boa vontade encontrar retornos possíveis aos que nos imputam atalhos para o pântano coletivo. Mas como, perguntaremos nós mesmos, pseudo senhores de nossos destinos, sermos homens de boa fé ou de feliz vontade em cenários tão perturbadores? Seria melhor uma declaração de guerra formal para darmos carta branca (ou vermelha) ao exército de Thanatos que nos divide com nosso Eros? Certamente que não pois a Primeira Guerra Mundial do Século XX, num exemplo dos mais conhecidos, nos mostrou o horror que povos ditos civilizados foram capazes de infligir mutuamente. Mas então, qual escapatória? Não há. A vida é processo e aceitação. Mas também resistência e preservação, resiliência e glória. Sobreviver deve ser a determinação divina, assim como certas espécies de formigas sobrevivem a mudanças abruptas de temperatura, salientando que nunca será uma comparação favorável à espécie humana ser comparada a bandos de insetos mentecaptos.

Pesado, de qualquer modo, aceitar o jogo da hipocrisia, da corrupção moral de eleitos e dos áulicos em seus truques grotescos de manutenção do poder. Difícil para homem ordinário saber como se comportar perante a infâmia daqueles que deveriam zelar pela coletividade. Afinal, pelo grau da infâmia cometida julgaremos o aceite ao baile da violência aparentemente sem sentido, mas praticada naqueles determinados momentos que se apresentam como sendo "sem escapatória". Instinto de defesa. Quando a continuidade da paz social volta à mesa de mediações entre poderosos detentores e controladores das instituições e os excluídos (das relações institucionalizadas do Poder). Há que se buscar novo contrato social tendo em pauta a justa ideia de que é primordial negociar deveres com homens que só almejam direitos. 

E que com as feras humanas não há diálogo possível, por certo.