sábado, 6 de outubro de 2012

"A liberdade está sofrendo bullying".

Frase de Gilberto Leifert ancorou os debates da Comissão da liberdade de expressão e democracia.

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, um símbolo vivo da luta pela liberdade, havia acabado de deixar o palco principal do V Congresso de Comunicação. A plateia ainda estava extasiada pelo simples e poderoso discurso de Tutu, que pregava a liberdade acima de qualquer outra esfera da sociedade humana. Foi um cenário oportuno para que o presidente do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), Gilberto Leifert, soltasse uma frase capaz de mexer com os brios do público e dar a tônica da discussão que viria a seguir: "a liberdade de expressão está sofrendo bullying".

Primeira comissão dessa edição do Congresso de Comunicação, Liberdade de Expressão e Democracia foi moderada por Dalton Pastore, presidente do ForCom e contou, além da participação do presidente do Conar, com as presenças do presidente do Grupo Abril, Roberto Civita e do ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto. No palco, o tema que dominou a discussão foi a luta para assegurar a liberdade de expressão comercial nas campanhas publicitárias e na imprensa em um cenário onde o cerco do "politicamente correto" para cada vez mais fechado.
 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Na sociedade do espetáculo e do consumo, tudo torna-se mercadoria, produto. Tudo transforma-se em um fait diver efêmero, fugaz. O que importa hoje, amanhã já será uma velharia esquecida pelo lançamento de mais uma novidade. Parece que vivemos num eterno presente, numa corrida para o futuro. Sem memória e sem nos importarmos muito com isso.

Em todo caso, é sempre bom divertir-se nessa jornada (bom humor é fundamental contra o estresse)  e, quem sabe, aproveitar as ofertas disponíveis. Uma vez que estamos inseridos neste sistema e como até mesmo os Governos ditos "de esquerda" incentivam o consumismo como meio de alavancar a produção e o crescimento econômico, que mal existe em comprar umas bugingangas a mais ou a menos?

Os ingleses da REINCUBATE, uma companhia de tecnologia renovaram os apelos do movimento KEEP CALM AND CARRY ON e criaram um negócio virtual que segue essa lógica: a novidade desta semana pode ser estampada junto com a logo dessa fábrica digital de brindes, lembranças e quinquilharias. Uma delas, utiliza o bordão dos funcionários públicos grevistas "Negocia Dilma" para ilustrar canecas, chaveiros e camisetas variadas. Tudo com preços acessíveis pelo seu credit card.

Como se vê, até os movimentos de contestação política e reivindicação de direitos já viraram suco e ganharam seu espaço nas gôndolas do consumismo. E sabem de uma coisa? Vou comprar minha camiseta vermelha com essa estampa. Afinal, quem sou eu para contestar o sistema?

sábado, 25 de agosto de 2012

Greve: quando a conversa termina mal.


As greves não começam de uma hora para outra. Quem já esteve na mesa de negociação de um acordo coletivo, sabe que o papel de qualquer sindicato é tentar conquistar os maiores reajustes possíveis. Este é o trabalho deles e a pauta de pedidos e reivindicações é sempre grande o suficiente para ter gorduras que serão queimadas ao longo das conversas.
 
Mas greve é sinal de que a conversa acabou. E quando a conversa termina e o diálogo vira monólogo de surdos, a greve acontece. No caso dos servidores públicos, quem mais sofre é o cidadão. Porque nessa guerra entre trabalhadores, movimentos políticos e Governo, o lado mais fraco é o do contribuinte. Por isso, as táticas de comunicação são muitas: todos precisam mostrar seus pontos de vista e buscar aliados. Lamentavelmente, algumas táticas funcionam até além da conta, como pichar um monumento turístico para chamar a atenção sobre uma causa ou mesmo parar o trânsito numa ponte entre duas cidades, com milhares de pessoas presas no trânsito por horas a fio.
 
Se tudo comunica, não só as palavras de ordem ou as de apoio geram percepções favoráveis ou negativas. No calor das manifestações, alguns tolos mais exaltados podem colocar em xeque todo um movimento legítimo de protesto. Os atos de vandalismo explícito e desrespeito também formam opiniões.  Se o silêncio pode comunicar a indiferença, a brutalidade de certos sujeitos vai comunicar muito mais: mostram que alguns querem que seus direitos sufoquem os direitos dos outros, sem culpa e sem limites.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Censura: nem pensar!

Leio hoje nos jornais  que Rafael Corrêa está fechando estações de rádio no Equador. O que deseja o mandatário? Escutar apenas opiniões e notícias favoráveis ao seu governo? Perseguir a mídia? Ao que parece o mandatário equatoriano quer mesmo é reprimir vozes contrárias ao seu governo.

Sou contra qualquer tipo de censura. Acredito no livre-arbítrio de cada um e na capacidade humana de optar pelo certo e errado. Quem está no poder e comanda o Estado tem sempre a tendência de ser tornar uma déspota e o caminho para conquistar este objetivo é reprimir e perseguir jornalistas, artistas, opositores e abortar a liberdade de expressão e de opinião.

Censurado.

Alguns líderes (ou melhor "chefes") acreditam na CENSURA como forma de garantir o pensamento único e a obediência total às ordens e diretrizes políticas, culturais e econômicas. Não ter oposição alguma é o sonho dos candidatos à ditadores, o que abre espaço para a tirania absoluta. A história já nos mostrou exemplos inesquecíveis do que homens desse nível podem fazer.

Controlar a liberdade de expressão é o caminho para tentar controlar o modo como pensamos  (graças à natureza indomável do espírito humano, uma missão impossível). Tiranos, ditadores, coronéis e déspostas de todos os naipes e quilates fazem da  repressão e da perseguição aos artistas, aos compositores, poetas, intelectuais e, claro, à imprensa e aos jornalistas seu esporte predileto. Quem pensa diferente, não tem vez nas ditaduras.

Revisitar a história e lembrar do passado, portanto, é valioso caminho para não deixar que novos aventureiros se perpetuem no poder.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A farra, a conta e o LIMPE.


Diz o Art. 37 da CF/88: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência..."

Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência são portanto, princípios constitucionais sobre os quais os administradores públicos devem pautar suas atitudes, suas decisões. Nem sempre, entreatnto, isso acontece - no Brasil infelizmente a regra é  o oporto do que diz a Lei.


Sorte a nossa termos uma imprensa ainda livre e capaz de mostrar a farra e a festa de alguns poucos "amigos do rei" em situações no mínimo suspeitas. Não basta parecer honesto, é preciso realmente ser honesto e não usar o poder para conquistar facilidades, privilégios e outros abusos. Que gente é essa?





sexta-feira, 23 de março de 2012

Poder: lobby, transparência e neurose.


As contribuições financeiras para as campanhas políticas devem ser públicas ou privadas? Para mim, a troca de um modelo por outro, não faz diferença alguma quando corruptores e corruptos encontram-se para fazer negócio. Os dois farão negócios de qualquer jeito. Por isso, prefiro sempre a transparência para tratar do assunto. Mas transparência não é fácil, mesmo porque as organizações e a política convivem através de enredos ensaiados, como passos de dança num baile de máscaras. Exatamente como fazemos em nossas vidas privadas, espelhadas em nossos relacionamentos coletivos. As organizações, as empresas e a prática política, lembremos, são reflexo das nossas dinâmicas e das nossas neurores individuais.
Se políticos desejam manter-se no poder pelos canais eleitorais ou pela distribuição de cargos e acordos partidários, empresários desejam manter-se no poder através da força financeira. O poder, na verdade, é como um vício absoluto que gera enorme satisfação, criando uma sensação de onipotência e de conquista que pode valer muito mais do qualquer prazer de origem sexual. Como escreve o psicólogo Antônio Carlos Alves de Araújo, ao comentar a obra de Alfred Adler (colaborador de Sigmund Freud): "O exercício do poder por determinado indivíduo revela não apenas seu lado emotivo, mas toda a sua estrutura de personalidade, determinando se tal indivíduo encontra-se no que Adler denominou de complexo de inferioridade ou superioridade, ambos compensações de metas de poder insatisfeitas".
Referências deste artigo:
Carlos Alves de Araújo em "O Estudo do Poder Segundo Adler" acessível em http://antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/poderrev/poderrev.html
Site ONG Às Claras com doações de empresas para campanhas políticas: http://www.asclaras.org.br/
Site ONG Transparência Brasil com mapa de riscos da corrupção: http://www.transparencia.org.br/docs/maparisco.pdf

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Esporte, política e o espetáculo dos protestos.



Os esportes já são utilizados como propaganda política há tempos. A Copa da Argentina de futebol, por exemplo, em 1978, teve diversas críticas sobre a manipulação de resultados e regras para favorecer a seleção nacional e apoiar a propaganda da ditadura militar na época.


Engraçada a coincidência de que em 2014 teremos Copa do Mundo e eleições presidenciais: imaginem a propaganda embalada em "verde e amarelo" para o candidato (a) da situação recebendo a seleção canarinho vitoriosa em casa? Bela propaganda, não é?


Na Ucrânia, num protesto da organização chamada Femen, que faz manifestações usando mulheres com seios à mostra para chamar a atenção para suas causas, uniu espetáculo, política e esporte. Desta vez a ação de protesto foi em frente à sede da Federação Internacional de Hóquei no Gelo, na Suíça. Seminuas, as manifestantes carregavam cartazes contra o regime ditatorial de Alexander Lukashenko, da Bielo-Rússia, no poder desde 1994 e que costuma perseguir e encarcerar seus opositores.


Aproveitaram o evento para também questionar a Federação Internacional de Hóquei sobre fazer um campeonato internacional num país controlado por uma ditadura. Causa difícil, mas iniciativa e mobilização necessária. Direitos Humanos devem ser utilizados com arma ideológica e de ação política na minha opinião. Não importa aonde. De qualquer forma, se vai fazer efeito ou não, é assim que podemos saber mais sobre a distante Bielo-Rússia e seu regime opressor.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A política brasileira vai ao entretenimento.

O artigo de hoje no jornal Esatdo de São Paulo, assinado por Eugênio Bucci traz uma análise imperdível sobre a política, a comunicação e o entretenimento. Sobre como a ficção tem pautado a realidade política, não só no Brasil, colocando o entretenimento como estratégia de poder e comop uma dimensão capaz de dar novos contornos ao "espetáculo" e sua relação com as autoridades públicas.


Veja esse trecho e não deixe de ler o artigo na íntegra:"Há quem diga que é por oportunismo que os políticos reagem solícitos aos estímulos do espetáculo. Não é. Mais que oportunismo, cristalizou-se um deslocamento nos fundamentos mesmos do discurso político. A política não tem outra saída. Hoje, no que chamamos de Ocidente, os domínios da emoção popular não pertencem mais à religião, assim como já não pertencem ao fulgor das mobilizações de massa: elas foram monopolizadas pelas formas de representação típicas da indústria do entretenimento. A política, que precisa tocar a emoção do povo, teve, então, de virar entretenimento. (Eugênio Bucci, Estadao.com.br/opiniao, 26.01.2012)"

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Tudo pelo Poder.



O filme de George Clooney "Tudo pelo Poder" ainda está em cartaz e é uma aula sobre os bastidores de campanhas políticas e a rotina estressante dos comunicadores que defendem a "imagem" dos candidatos. No filme, o personagem principal, um assessor de comunicação interpretado por Ryan Gosling, apesar de seu talento técnico, se vê num emaranhado de relações e conflitos humanos incontroláveis.


Ao longo do filme, além de entendermos mais sobre as prévias eleitorais do sistema político americano, vamos descobrindo que as crises são inevitáveis, pois os deslizes morais, a postura ética, as emoções e a briga de egos do dia a dia podem comprometer plataformas políticas aparentemente bem intencionadas.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Comunicação interna para a PM.




O jornal "O Globo" divulgou, hoje, foto de um cartaz de comunicação interna voltado para os soldados da PM do Rio de Janeiro. A peça apóia uma proposta de valorizar a ética e incentiva a reflexão sobre as escolhas que um policial militar deve fazer no exercício de sua função.


Seu texto questiona se o policial deseja ser como um herói ou visto com vergonha pela a sua família, mostrando uma foto onde um soldado fardado está algemado e recebe a visita de sua família. Uma peça sem requintes de design ou direção de arte, mas capaz de passar um recado certeiro, impactando a consciência de cada um.


Deveria ser um modelo e ser reproduzida para todos os órgãos governamentais e instituições de Estado. E quem sabe, para a própria sociedade como um todo. Afinal, sempre que existe um "corrupto" existe também um "corruptor" do outro lado do balcão.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Relações governamentais.

Diante da dinâmica que a comunicação vivencia, seja nas áreas de marketing, operacional ou comercial, nas relações comunitárias, nas relações internacionais entre empresas e clientes, nas questões da sustentabilidade e mesmo na comunicação interna, penso que o comunicador empresarial deve ser antes de tudo um mestre em relações humanas.Para isso, o diálogo e a psicologia são “equipamentos” vitais.


Mas, pra começo de conversa, é necessário gostar de pessoas e saber lidar com variados públicos de interesse e suas demandas transversais, em situações que não estão nos livros das universidades ou nos manuais técnicos.Nas relações governamentais, por exemplo, outro campo de crescente atuação do comunicador empresarial, podemos perceber todas essas variáveis. Neste segmento, a exigência é de uma grande flexibilidade, muita paciência, criatividade, entendimento de riscos e cenários e senso político extremamente habilidoso. Na verdade, uma prática já chamada de “diplomacia corporativa” pelos estudiosos das relações internacionais, mas que, peço licença, vou utilizar aqui na dimensão local da política brasileira.


Nas esferas municipais, estaduais e federais (e também em esferas internacionais – lembremos que grandes marcas brasileiras estão indo “globalizar” outros países e mercados), o comunicador enquanto um diplomata empresarial é um cuidadoso articulador político. Neste sentido, “fazer política” com o objetivo de buscar negociações éticas e transparentes, exige uma inteligência relacional capaz de valorizar o diálogo interpessoal de maneira a criar vínculos duradouros.Evidentemente, o conhecimento de leis, hierarquias, funcionamento do Estado e da administração pública também são questões fundamentais para um profissional de comunicação exercer, de maneira eficiente, suas funções neste segmento.


Cada vez mais, grandes marcas e empresas lidam com variáveis políticas locais que podem afetar resultados e impactar projetos e investimentos de grande envergadura. Isso, sem falar em situações de crise...Antigos modelos de assistencialismo e do nefasto “toma lá, dá cá”, que pautavam estilos viciados de relações governamentais, estão sendo colocados em xeque pela própria evolução da cidadania e da fiscalização da sociedade e da imprensa.


Nesse ambiente, o comunicador como um diplomata empresarial, mesmo que atuando no seu próprio país,precisa estar alerta para navegar em meio a disputas partidárias, jogo de interesses, na força de mobilização e influência das mídias sociais e no conhecimento das alianças de poder.Nesse sentido, também se faz vital que, dentro da empresa, o comunicador encontre apoio da organização e da liderança. Que tenha um espaço confiável e seguro para expor questões sensíveis e assim descortinar soluções políticas alinhadas aos valores, à visão e à missão da empresa. As relações governamentais são, certamente, uma oportunidade para fortalecer a cidadania corporativa e a responsabilidade social, construindo pontes entre a iniciativa privada e os poderes públicos.


Um permanente desafio para os comunicadores de um Brasil que descortina novas perspectivas de investimento, interioriza seu crescimento econômico e expande suas influências, muito além das suas fronteiras nacionais.