domingo, 20 de julho de 2008

"Obrigado por fumar".

"Obrigado por fumar" é um filme que aborda de maneira inteligente e satírica a atuação de um public relations, porta-voz da uma fábrica de cigarros.

Um filme que vale a pena ser visto pois aborda questões éticas de um profissional que vive os dilemas de sua profissão e a educação de seu filho.Politicamente incorreto, consegue ser bem humorado ao trazer situações do universo corporativo, sem ser ideologicamente doutrinário.
Vale também para o debate sobre a legalização do lobby no Brasil, causa defendida abertamente por algumas empresas e apoiada por este blogueiro que vos escreve.

Comunicação política - 4

Um livro que recomendo para quem quiser se aprofundar em comunicação política no Brasil é "Lobby. O que é. Como se faz." de Said Farhat. Publicado pela ABERJE Editorial em conjunto com a Editora Peirópolis é uma aula de história e uma publicação fundamental para quem deseja ver o exercício do lobby discutido às claras em nosso país.

E por falarmos em comunicação política, a ABERJE lançou o Programa Internacional em Relações Governamentais, durante o primeiro encontro de seu Comitê ABERJE de Relações Governamentais, ocorrido em junho passado.

O curso é inédito e terá parceria da George Washington University e Jedi Group.O Programa acontecerá dividido em:
Módulo 1 - 7 de novembro - Estratégias e Comunicação Políticas
Módulo 2 - 8 de novembro - Empresas, Política e Risco Político
Módulo 3 - 21 de novembro - Lobby & Defesa de Interesses
Módulo 4 - 22 de novembro - Negociação Política

Veja mais em: http://www.aberje.com.br/ e agende-se!

Comunicação política - 3

A sociedade civil organizada possui hoje uma enorme influência nos rumos da nação brasileira. Se a impensa é considerada como um quarto poder, os movimentos sociais e as ONGs já possuem peso considerável nessa balança e se destacam como um quinto fator de pressão.O fato a ser analisado são as ações de alguns grupos organizados que, nunca antes na história deste país, protagonizaram tantas ações direcionadas contra as empresas privadas, numa declarada desobediência às leis.

Um exemplo é a atividade do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra cujas reivindicações originais e legítimas a favor da reforma agrária, deram lugar a atos de extrema violência. Sou a favor do diálogo entre empresas e seus diferentes públicos que formam a rede social. Acredito que a civilização pode caminhar para um futuro melhor através do entendimento e do esclarecimento. Mas, quando a violência e a intolerância ocupam o lugar da mesa de negociação o único caminho possível é a exigência do cumprimento da lei por parte das autoridades.

Numa rápida busca na imprensa, sobre as últimas empresas atingidas por ações do MST temos desde ferrovias da Vale, obras da Odebrecht, fábricas da Bunge, usinas da Cemig, laboratórios da Aracruz e fazendas da VCP entre outras.Já uma visita ao site do MST é uma aula de comunicação política e organização. Desde discursos, biblioteca e vídeos até uma lojinha de brindes da "reforma agrária" (tem bandana e porta passaporte entre outros gifts) o site dá uma mostra do uso inteligente da comunicação de maneira estratégica para a conquista dos objetivos da entidade. O MST usa os ensinamentos do marketing e do branding para motivar e engajar seus colaboradores!

A ironia, contudo, é que não vejo, até o momento, nenhuma empresa se organizar em conjunto com outras para discutir ou mesmo pressionar as autoridades oficiais a fim de preservarem suas instalações e suas atividades.Relendo o livro "Lobby. O que é. Como se faz." de Said Farhat e publicado pela ABERJE, transcrevo trecho que considero importante para a análise deste cenário:

"A mudança obtida por via revolucionária é precedida, ou seguida, de intensa mobilização da opinião pública, para consolidar, ou modificar, conceitos anteriores e substituí-los pela nova "verdade oficial". A batalha mais importante das revoluções é sempre a conquista da aceitação do povo, ainda que passiva, mas dada como comprovante de sua legitimidade."

Ou seja: estamos diante da conquista de corações e mentes. Para qual lado a opinião pública vai pender?Quem quiser saber mais, basta visitar os links abaixo e ler os posicionamentos de algumas empresas diante das invasões do MST ou mesmo informações sobre este conflito de interesses:
http://www.cemig.com.br/conselho/ata/ata57.asp
http://www.vale.com/saladeimprensa/pt/releases/release.asp?id=18270
http://www.vale.com/saladeimprensa/pt/releases/release.asp?id=18208
http://www.bandrs.com.br/noticias/index.php?n=6587&p=1&PHPSESSID=1cfb828109ce8a6ef80d510efceb2cde
http://www.aracruz.com.br/show_press.do?act=news&id=1000476&lang=1
http://www.aracruz.com.br/show_press.do?act=news&id=1000326&lang=1

Comunicação política - 2


Comunicação Política - 1

Qualquer opinião traz em si uma postura ideológica, cultural ou política. Ninguém vive, convive e conversa sem ter em mente a sua visão de mundo. Nossa visão de mundo molda nossa comunicação.Natural. Humano.

Nessa linha de raciocínio, podemos dizer que a comunicação social também é um comunicação política, afinal, se o "social" tem relação com o que vive em sociedade, a "pólis" é a comunidade organizada, formada por cidadãos. Portanto, quase sinônimos.

Por isso, vou falar nos próximos posts sobre a comunicação de cunho política, sobre o lobby e as formas de pressão populares em curso no mundo e no Brasil, que, é claro, afetam a vida dos comunicadores empresarias.

Vejam, por exemplo, a campanha criada pela agência SANCHO BBDO na Colômbia. Contra as FARC - Forças Armadas Revolucionárias, a agência criou uma ação nos pontos de ônibus para convocar a população para uma marcha contra o grupo guerrilheiro. As imagens estão na sequência.

Charge.


Indústria de cimento na Venezuela.

Falando em democracia, aproveito e relembro uma notícia que merece atenção: a Venezuela anunciou a estatização da indústria de cimento. Diante disso, penso, em primeiro lugar, nos profissionais da CEMEX, da Holcim e da Lafarge e nas suas famílias. Como fica a cabeça dessa turma diante da nova mudança?Porque a indústria de cimento venezuelano foi privatizada há anos e ao retornar ao controle governamental dá uma guinada de 180 graus.

O que posso dizer é que, com certeza, a confiança foi a primeira vítima dessa atitude. Contratos rompidos, valores, ética e transparência, atingidos. Política e ideologia tomando assento nas reuniões da administração: o mercado gerido por decretos e pela vontade de um governante pode funcionar?

Não, não é fácil a vida da equipe de comunicação institucional (interna e externa) numa hora dessas. O véu da censura e do patrulhamento ideológico pesando sobre o ambiente de trabalho trazendo o silêncio como o conselheiro. O que me lembra Armando Falcão, Ministro da Justiça nos tempos da ditadura militar brasileira e sua famosa frase: "Nada a declarar".

Livro.

No meu entender o acesso às informações, a transparência, a comunicação e a abertura de canais de diálogo na gestão do patrimônio público são antes de tudo, direitos do cidadão. Censura e "pressão política" por parte dos mandatários eleitos (ou mandatários concursados) dos Três Poderes e dos gestores das empresas estatais é uma questão perigosa quando o assunto envolve dinheiro de impostos. Quando o assunto se refere à gestão do patrimônio público.

Por isso, destaco uma citação do livro "Em Brasília, 19 horas" de Eugênio Bucci, ex-Presidente da Radiobrás: "Pode haver a mínima ética jornalística numa empresa cuja administração seja controlada pelo Governo? É claro que não. Para que o jornalismo seja viável, o governo deve ser mantido a quilômetros de distância da redação".

De acordo com matéria do jornal O Globo (edição de 05 de abril de 2008) o livro conta os bastidores da luta para que a Radiobrás fizesse jornalismo e não propaganda oficial. Ou seja, uma saudável e necessária discussão sobre a comunicação pública e sua transparência num país democrático.


Compromisso e coerência.

Como você, profissional, está cumprindo a promessa da marca da empresa na qual trabalha e que você representa? Você, profissional, acredita na promessa da empresa na qual você trabalha?


A palavra COMPROMISSO tem sido bastante utilizada para costurar, de certa forma, as respostas às perguntas acima.

A comunicação pode ajudar bastante na construção do engajamento da equipe, com o cumprimento da promessa representada pela marca. Mas o que vai funcionar de verdade para que o tal compromisso aconteça é a gestão ser a prática do discurso. O walk the talk é o pilar mestre da coisa toda. E as ações da liderança serão os exemplos que vão garantir a coerência entre o que se prega e o que se faz.

Fora isso, a comunicação será como uma embalagem linda, ricamente adornada, esteticamente perfeita, mas com um conteúdo vazio. A promessa só será cumprida quando os valores éticos estiverem sustentando os valores estéticos.

Escrevi este post pensando no McDonalds que está apoiando as Olimpíadas na China, cujo governo tem perseguido e oprimido o povo tibetano. Além disso, o Governo Chinês não permite a liberdade de expressão e a própria China é considerada campeã mundial em número de presos políticos, não permitindo qualquer liberdade de expressão por parte de seus cidadãos.

No site: http://www.amomuitotudoisso.com.br/ nós podemos ler, como valores da empresa, dois pontos totalmente contraditórios com o apoio da rede de fast food às Olimpíadas de Pequim, promovidas por um governo ditatorial. Estão lá: "Conviver de forma positiva com a diversidade de opiniões" e "Promover atitudes que reforcem a consciência e a prática da cidadania, dentro e fora da empresa".