sábado, 29 de outubro de 2011

Comércio "ético"?

A queda e a execução sumária do coronel Muamar Kadafi pode ter finalizado uma etapa da revolução em curso na Líbia. A reconstrução estrutural e insitucional do país vai demorar muitos anos. As imagens de um Kadafi ensanguentado em seus minutos finais de vida correram o planeta. Desdmon Tutu, arcebispo emérito da Cidade do Cabo (África do Sul) e Nobel da Paz declarou que a "justiça com as próprias mãos nos torna mais desumanos". Concordo.


Trocar uma selvageria por outra, um tipo de violência tribal por outro tipo de violência tribal, um governo despótico por outro nos faz refém de um modelo mental baseado na guerra e na truculência - o que só interessa aos produtores e vendedores de armas e seus parceiros comerciais.


Por falar em parceiros comerciais, a reflexão aqui parte da pergunta: qual é a responsabilidade das empresas que decidem trabalhar em mercados "garantidos" pelas mãos fortes de ditadores de variadas espécies, governos notoriamente corruptos e que desrespeitam os Direitos Humanos?


Porque sabemos que muitas declarações de valores ilustram salas de reuniões e relatórios de sustentabilidade mas acabam esquecidas na vivência diária das empresas exatamente devido às incoerências administrativas. Decisões que privilegiam resultados econômicos imediatos, de lucros aparentemente "garantidos" podem carregar uma história suja por trás de sua contabilidade. Aliás, a Profa. Dra. Patrícia Almeida Ashley já perguntou em recente encontro na PUC Rio: "Qual é a história do seu lucro?".


Nesse sentido, foram várias empresas brasileiras e também de diferentes países e ramos de negócios que estreitaram suas relações com a ditadura de Kadafi, assim como com outros países subjugados pela mão de ferro de tiranos. O lucro valeu a pena? O risco humano teve um preço justo? Dinheiro não tem bandeira, é um nômade amoral?


Fica aqui a questão.

sábado, 20 de agosto de 2011

Que tal caçar jornalistas?



A imprensa incomoda muita gente com suas opiniões, suas reportagens, seus exageros, seu sensacionalismo e sua influência política, cultural, social. Erros acontecem, às vezes até propositais, de má fé. Veículos de comunicação são usados para defender algumas causas e atacar outras, defender alguns grupos e denegrir outros.



Por isso, é preciso garantir a imprensa livre, sempre. Garantir a pluralidade de opiniões, as diferentes versões dos fatos. Parece que a "verdade última é inatingível" (lamento, mas esqueci o autor dessa frase) e portanto quanto maiores as chances de se informar em diferentes sites, jornais, revistas, publicações...melhor!



Enfim, defendo o direito da opinião, da liberdade de expressão e da investigação. Muitas vezes é a imprensa quem denuncia aquele escândalo, aquela negociata. Muitas vezes faltam provas para a condeñação e muitas vezes será dado o direito de resposta (merecido) para quem se sentir ultrajado, difamado. Mesmo assim, é melhor ter a liberdade de expressão garantida diante dos poderosos. Por isso, a caça aos jornalistas promovida através da censura e do abuso do poder é um esporte pouco saudável para as democracias.



Porque convenhamos, quem quiser uma imprensa puxa saco do poder deve chamar uma boa agência de propaganda e colocar um anúncio bem bonito estampado nos jornais. Imprensa foi feita para esclarecer, questionar, colocar os pingos nos "is" e jogar mais luz sobre questões pouco transparentes.




terça-feira, 12 de julho de 2011

Engenhosidade do mal.



A cabeça humana é capaz de criar obras de arte, de cuidar dos mais fracos, de atos de compaixão e palavras de amor. Mas não somos somente homens de espírito elevado, conectados com a vida o planeta. Nosso lado demens sempre usou a inteligência para praticar o mal e produzir guerra e caos.


Na verdade o nosso lado faber é capaz de fabricar pão, mas também armas. De criar vacinas e remédios para salvar feridos e enfermos, mas também criar veneno e bombas químicas.


Aqui, na foto, mais um exemplo repulsivo desta face humana. A criação de um "robô inseto" militar que muito em breve estará pelos ares carregando explosivos e artefatos mortais. Alguém lembra do Exterminador do Futuro onde humanos lutam contra máquinas fora do controle?


terça-feira, 5 de julho de 2011

Comunicação política...e cidadã!



Usar a comunicação para passar o recado da cidadania é uma ótima estratégia. Tem impacto, repercussão e distribuição pelas redes sociais.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Perdendo a batalha da mídia...



O Governador Sérgio Cabral perdeu a batalha da comunicação na questão dos Bombeiros do Rio.


A "marca" Bombeiros tem atributos de valor admirados e defendidos por uma grande parte da sociedade. Junte-se a isso a questão das "fitinhas vermelhas" como ícone de lembrança e solidariedade aos soldados do fogo e temos um belo caso para o estudo da comunicação - independentemente de quem está mais certo ou menos errado nesse confronto.

Perdendo o capital reputacional...



Reputação é como um cofre onde você vai depositando valores para que, em caso de uma crise, quando você tiver que sacar o capital investido a sua reputação ainda consiga ter um valor mínimo para se tentar uma reconstrução.


A "marca" Palocci perdeu bastante deste capital reputacional nos últimos tempos. Contudo, talvez tenha acumulado valor em outros setores de sua influência.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Conferência do Ano Internacional das Florestas 2011




Nesta sexta-feira, dia 03 de junho, a Humanitare (entidade ligada à ONU) realizará a Conferência do Ano Internacional das Florestas 2011: um evento pela conservação de todos os tipos de florestas - nosso santuários da biodiversidade e patrimônio das gerações presentes e futuras.



O evento contará com painéis que terão a participação de dirigentes da ONU, jornalistas, empresas, blogueiros e artistas além do lançamento de dois projetos: o Festival Internacional de Filmes de Florestas e o Projeto MudaRock, com pocket show da cantora Pitty.



Após a batalha de opiniões no Congresso Nacional sobre o Código Florestal, este evento é obrigatório para quem pensa no amanhã. Mais do que um encontro ambientalista, trata-se de um encontro político já que a defesa do meio ambiente é hoje uma bandeira genuína de cidadãos planetários mas também usada e abusada por políticos que da noite para o dia tornaram-se "verdes desde criancinhas". Nada contra o discurso verde, mas é preciso colocar em prática ações que preservem ou explorem de maneira sustentável os recursos das florestas. Sabendo usar não vai faltar - já dizia um slogan antigo, perfeitamente ajustável para um tempo que vê nascer a consciência crescente por uma biocivilização.



Mais ética, pois mais includente. Mais pacífica pois socialmente solidária e ambientalmente justa.



A Agência Ideal é quem coordena a comunicação do evento.








segunda-feira, 23 de maio de 2011

É lobby ou tráfico de influência?



Já passou da hora de se discutir às claras a questão do lobby no Brasil. Chega de bastidor, intriga palaciana, negociações nas sombras. Tudo o que não é transparente no governo corre o risco de ser interpretado como corrupção.






A questão agora fica mais evidente com o Exmo. Sr. Palocci voltando a ser ministro após uma curta porém rentosa passagem pela iniciativa privada. Como consultor faturou muito mais do que como ministro. Mas pelo discurso trata-se de um patriota. Pelo imposto de renda, parece um agiota. E ficamos assim?






Como será que a FSB vai atuar para reconstruiur ou mesmo"blindar" (será possível?) a imagem do ministro? Vamos tuitar e falar sobre isso...figuras públicas com benefícios privados não combinam. Mas, isso não é problema para uma boa assessoria de imprensa e relações governamentais, não é mesmo?






Leia mais:



domingo, 1 de maio de 2011

Enquanto isso na China...






Mais um dissidente político é perseguido pela polícia política do regime comunista chinês. Desta vez foi Ai Weiwei quem desapareceu, acusado de conspurcar os valores da soberania e da juventude chinesa. Weiwei tem obras de cunho político e divulgou pela internet suas críticas adquirindo milhares de fãs pela web. Para ele, tudo é arte e tudo é político e por isso, suas obras e opiniões não eram bem aceitas pelo poderoso partidão chinês.



Weiwei está preso e seu destino é incerto, assim como o de milhares de outros "inimigos" políticos.













sábado, 26 de março de 2011

O senhor da guerra: um pai de família.


Obama visitou o Brasil trazendo toda a sua família. Pai dedicado, ama suas filhas e sua esposa. Trouxe na bagagem uma mensagem de amizade, cooperação, bons negócios. Falou de futebol, de Paulo Coelho. Visitou o Cristo Redentor e a Cidade de Deus para ver criancinha jogando capoeira. O mesmo Obama, fraternal, que viaja com a família toda, ordenou, daqui mesmo dos trópicos calorentos, a ordem de ataque à Líbia.

Enquanto os mísseis Tomahawk (quanto custa mesmo cada um deles? Uns US$ 500 mil a unidade?) despencavam dos céus sobre as forças leais ao ditador líbio, nosso ilustre convidado discursava no Teatro Municipal sob forte esquema de segurança. Até o Secretário de Segurança do Rio parece ter sido revistado "aos costumes" pelos agentes norte-americanos.

No caso da Líbia, assim como do Iraque do já esquecido Saddam, ou do Panamá do caricato Noriega (lembram dele?), tudo me parece uma enorme hipocrisia política: o amigo de ontem, virou o inimigo de hoje e agora custa uma boa grana tirá-lo do poder. Mas é assim que o cassino da economia moderna enriquece a banca.

Resumo da farsa:os mais fortes vão garantir - na marra, seus barris de petróleo para movimentar suas forças armadas, enquanto visitam seus "vizinhos amigos". Até quando os senhores da guerra vão faturar alto com suas bombas, enquanto tomam sorvete de pistache com suas filhas queridas? Até quando a platéia abobalhada vai aplaudir o circo montado, pagando a conta do espetáculo?
Esta na hora de falarmos sobre Direitos Humanos com menos ilusão de ótica. Os lobos vestidos de cordeiros defenderão povos amigos sempre que o interesse econômico justificar a renovação dos arsenais de bombas.


Que Deus nos proteja desses bons pais de família.
PS: Vocês já viram o filme "Um Homem Bom"? Vale a pena:http://www.imagemfilmes.com.br/imagemfilmes/principal/filme.aspx?filme=103716

quarta-feira, 2 de março de 2011

Golpe de Estado, circo e apatia.

No Brasil temos Carnaval, temos brahmeiros, temos cervejão. Temos Ronaldinho Gaúcho sem freio e temos BBB com milhões de votos para eliminar ilustres desconhecidos. Aqui temos também tapinha nas costas, jeitinho, Presidente fazendo omelete na televisão. Maravilha, este nosso paraíso.

Na Líbia, na Tunísia, no Egito e no Iêmen não temos nada disso. Mas, como uma "tempestade no deserto" temos povo na rua. Protesto, manifestação, ação. Nunca foi tão fácil derubar a tirania, não é mesmo? Parece coisa de Brecht: "Se dois bois conversassem, não iriam tão fácil para o matadouro".

Hoje, lemos nos jornais que nossas Excelências políticas como Paulo Maluf e Newton Cardoso, além de Eduardo Azeredo e Valdemar Costa Neto vão capitanear a "reforma política" através de uma comissão da nova lei eleitoral. Para mim isso tem um nome: Golpe de Estado. Sei que estes Ilustríssimos Senhores foram votados (assim como o palhaço Tiririca) mas convenhamos, colocaram as raposas para tomar conta do galinheiro. Mas quem "colocaram"? Nós mesmos, cidadãos adormecidos, apáticos, tolos. Já tínhamos o imortal Sarney controlando o Senado e agora teremos ex-mensaleiros e gente acusada de desvio de verbas e enriquecimento ilícito, entre outros crimes. Muitos dirão que os inquéritos ainda não foram concluídos, nem sentenças estabelecidas. Eu mesmo estou escolhendo bem as palavras para não levar um processo. Afinal, esses homens estão no Poder! E é assim que o país do jeitinho funciona, enrolando o cidadão comum, como serpentina carnavalesca a enroscar o pescoço do folião desavisado.

O circo (dos horrores) tomou o poder no Brasil. A apatia esta no ar, mas os blocos estão saindo para as ruas. É Carnaval. Deveria ser Revolução, mas é apenas samba, suor e ouriço. O barco esta correndo frouxo, na casa da mãe Joana e quem se importa? O Pré-Sal vai resolver a vida de todo mundo, assim como a Copa e as Olimpíadas. Com estádios superfaturados, espetáculo pirotécnico, distribuição de medalhas e coberta festiva. E claro, fotos de políticos sorridentes com crianças de algum projeto social.

Aqui, no laboratório antropológico do Brasil, estamos na panela, sendo cozinhados como sapos. A temperatura aumenta, mas ninguém (quer) perceber. Se tiver cerveja e mulher pelada, tudo bem. Tudo bom.

Queria que este Carnaval fosse "das Arábias". Bem diferente: com um desfile de patifes fugindo do país, mas com suas contas bancárias congeladas. Quem sabe um dia?

Leiam mais em O Globo - 02.03.2011:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/01/reus-deputados-investigados-sao-escalados-para-comissao-de-reforma-politica-na-camara-923909602.asp

O Dia - 02.03.2011:
http://odia.terra.com.br/portal/home/fixos/pdf/11/03/02032011.pdf

Estado de São Paulo - 25.02.2011:
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,educadores-lamentam-escolha-de-tiririca-para-comissao-na-camara-,684701,0.htm

Folha - 02.03.2011:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/883170-comissao-da-reforma-politica-na-camara-reune-maluf-e-mensaleiro.shtml

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quanto vale desrespeitar os Direitos Humanos?


Vale tudo para fazer um bom negócio? Que tal comprar produtos de ditadores? Vale a pena uma relação comercial com tiranos que desrespeitam os Direitos Humanos? Não sejamos inocentes demais, num mundo violento, onde a guerra é a luta econômica levada às últimas consequências, mas será que a economia é a rainha da ética? Ou ética é coisa relativa?

Entre países ou entre empresas, qual o custo humano de manter relações comercias com tiranos do calibre de Arafat, capaz de bombardear a própria população? De um Saddam? De um Fidel? De um Mubarak? Ou da ditadura chinesa? Esta na hora de olharmos mais profundamente no espelho e não nos deixar levar pela propaganda oficial com slogans de "crescimento" e "ufanismo" do tipo inquestionáveis.

Amanhã, nós mesmos poderemos ser as próximas vítimas das nossas omissões.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A nova cara do dinheiro.


Campanha da Giovanni+Draftfcb divulga o novo visual das notas do Real. O dinheiro brazuca ficou agora mais parecido com o Euro. A estratégia política é enfraquecer o dólar norte-americano e a proposta prática é dificultar a falsificação. O valor da mudança é a pergunta que não quer calar: quanto custou essa inovação? Ficou uma beleza de design, mas como dizem na livre iniciativa: qual será o ROI (Return on Investment)?Afinal, o contribuinte é quem paga a conta.