sábado, 20 de dezembro de 2008

A marca da Prefeitura - 2.

E para marcar a nova administração municipal, o prefeito Eduardo Paes, sucessor eleito de César Maia já divulgou a "nova marca" do Rio. Agora fica "tudo azul".

Ou seja, a guerra é pela percepção. Entendo, faz parte. Comunicação tem sua forma e seu conteúdo. Mas o mais importante não é a bandeira, a placa, a marca ou a cor. O mais importante é administrar direito uma cidade como o Rio de Janeiro.

Vamos ficar na torcida e alertas. Para que tudo fique "no azul" de verdade e não só nos símbolos e no imaginário.


A marca da Prefeitura.

A administração do prefeito César Maia ficou marcada por várias obras (acabadas e inacabadas), promessas (cumpridas e outras esquecidas) e, é claro, pela cor laranja que o alcaide emplacou já na sua primeira adminsitração.

Mas a cor não importa, para mim o que importa é a cidade. Sua administração. Contudo, entendo que o ato e o efeito de "marcar" acaba por transmitir uma percepção, uma lembrança, uma memória. Isso funciona no mundo das marcas empresariais e comerciais e, como no universo humano tudo é simbólico (ou "tudo é político" como diz um sociólogo amigo meu) - também funciona para a administração pública.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Defesa dos Direitos Humanos.

Visitei o site da RFK - Center for Justice and Human Rights. Confesso: fiquei influenciado pelo discurso ao final do filme "Bobby" de 2006, enredo que conta os últimos instantes antes do assassinato do senador Robert Kennedy, nos EUA.

Mas não somente por isso. Acredito que a defesa dos Direitos Humanos é uma luta diária. Já tinha escrito isso aqui. Fazer frente à violência, à intolerância, à repressão e aos discursos de tintura popular (mas que na verdade camuflam tendências ao autoritarismo) é um trabalho árduo, uma atitude que não pode parar. Essa ONG busca isso, em qualquer lugar do mundo, apóia pessoas e movimentos nesta missão.

Na verdade, o que me incomodou muito foi ver a recepção calorosa de nosso Presidente, eleito democraticamente, ao ditador cubano, o general Raul Castro. Figura que, junto com seu irmão Fidel, derrubou uma ditadura para implantar outra. Igualmente corrupta e violenta. O mais engraçado: muitos na imprensa chamam o tirano de "Presidente". Meus colegas de profissão temem dizer o adjetivo correto: ditador. Ponto.

Mas, o futuro avança e até mesmo a ilha caribenha e seu povo sofrido ficarão livre dos dois déspotas em breve. Ninguém vive para sempre, ainda bem. Aí ,então, saberemos quantos foram perseguidos por discordar de seus comandantes, quantos foram os inocentes que terminaram no "paredón" por terem opiniões opostas ao regime, quanta gente teve sua vida vasculhada por arapongas. Saberemos enfim, quantos crimes contra os Direitos Humanos foram praticados.

Ética e mídia, mídia e ética...

O professor Clóvis de Barros Filho, livre-docente da ECA-USP e da ESPM SP, fez uma "aula aberta" sobre seu livro “Ética na Comunicação” (Editora Summus) na Casa do Saber (Jardins - SP).

O livro aborda como é feita a disseminação e a recepção das notícias em uma época permeada pelos excessos informativos: de e-mails, celulares, da televisão, do rádio e questiona a grande mídia, principalmente, no seu método "objetivo' de análise de conteúdos.

Quem já viu uma palestra de Clóvis sabe como o mestre é contagiante com seu discurso que como ele mesmo já disse "pode jogar pedra pra todo lado".

domingo, 14 de dezembro de 2008

A vida dos outros.


Domingo chuvoso no Rio e como bom carioca, fico em casa meio deprimido diante do tempo cinzento. Aproveito e revejo um filmaço: "A Vida dos Outros" ("Das Leben der Anderen" - título original em alemão).

O filme narra uma história real acontecida durante o regime comunista da Alemanha Oriental. Um casal de artistas fica sob vigilância de arapongas e escutas telefônicas que procuram possíveis movimentos de oposição ao regime político dominante e totalitário. O filme é uma obra imperdível pois nos faz lembrar que a vida dos cidadãos sob regimes de excessão não vale nada. E que a liberdade de expressão e de opinião (direitos humanos fundamentais, entre outros) são considerados alta traição.

Para conhecer mais, acesse o trailler:
http://www.youtube.com/watch?v=n3_iLOp6IhM
e veja também a cena onde os arapongas da Stasi (polícia política) instalam as escutas telefônicas. Acesse e aproveite para agradecer a democracia que temos no Brasil (com todas as sua falhas):
http://www.youtube.com/watch?v=1kYNK5PjoZ0&feature=related

sábado, 13 de dezembro de 2008

Imagens que falam.


Demorei um pouco para colocar este post no ar, mas valeu a espera: a capa da Folha de São Paulo de 2 de dezembro passado é um primor jornalístico. Manchete e imagem se integram e reforçam não somente a mensagem principal (os EUA estão em recessão), mas vão além.

A escolha da foto de Obam e Hilary deixando a coletiva de imprensa com um fundo escuro à frente é um primor do fotojornalismo. Os dois, juntos, têm pela frente um quadro negro, uma realidade difícil...talvez um túnel onde até agora não haja luz no final.

Parabéns aos editores!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Direitos Humanos.

Há 60 anos era assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ou seja, hoje é uma data importante para a humanidade e para nosso futuro. Como qualquer lei, norma ou diretriz, tudo fica muito "perfeito" no papel e no discurso, mas na prática a coisa muda de figura e as dificuldades de entendimento entre as pessoas se fazem mais presentes. É por isso que neste blog de comunicação política e governamental era impossível não registrar a data.

Todos nós devemos conhecer e nos engajar na defesa dos artigos publicados na declaração: sociedade, governos, empresas, cidadãos. Trata-se de uma verdadeira luta entre a civilização e a barbárie, entre o esclarecimento e o obscurantismo - luta diária, construção contínua.

Eis aí, os artigos:

Artigo I.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo II.
1.
Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Artigo III.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV.
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V.
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI.
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo VII.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII.
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X.
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI.
1.
Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII.
Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII.
1.
Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV.
1.
Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV.
1.
Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
2.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI.
1.
Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2.
O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
3.
A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.
Artigo XVII.
1.
Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.
Artigo XIX.
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX.
1.
Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.
2.
Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI.
1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2.
Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3.
A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII.
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
.1.
Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2.
Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3.
Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4.
Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV.
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Artigo XXV.
1.
Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2.
A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI.
1.
Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2.
A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3.
Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII.
1.
Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
2.
Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XXVIII.
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIX.
1.
Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2.
No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3.
Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Veja mais:http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

As vidraças são nossas - 4

Grandes obras, muito dinheiro, políticos fanfarrões e lobby pesado para ver quem substituiu quem numa revisão (ou cancelamento) de contratos é o pano de fundo de um verdadeiro ataque à certas empreiteiras brasileiras que operam em países vizinhos ao nosso.

O Equador já havia expulsado a Odebrecht e agora é a Bolívia (que já tinha ocupado militarmente a Petrobrás) que está dando um ultimato à construtora Queiroz Galvão. O governo boliviano exige que a empresa apresente uma proposta técnica para a conclusão de um estrada que segundo parecer técnico possui falhas de estrutura na obra.

Convido você leitor(a) a ficar atento(a) e aguardar o próximo lance desse xadrez latino-americano porque as vidraças, agora, são nossas. As pedras estão voando para cima das marcas Made in Brazil.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Meios de comunicação na Venezuela e as eleições.


Acompanhando as eleições do próximo dia 23 de novembro, na Venezuela, que vão indicar novos governadores e prefeitos naquele país, li no El-Carabobeno que numa reunião geral, representantes de diversos meios de comunicação vão acatar a decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), espécie de TRE venezuelano, sobre a divulgação dos resultados.

Ou seja, a imprensa não vai poder emitir informações ou divulgar projeções antes dos boletins oficiais do CNE que darão os resultados das escolhas dos 17 milhões de eleitores venezuelanos. A reunião pareceu marcar um ponto de equilíbrio entre diferentes interesses comerciais, políticos e informacionais que sempre estão presentes nas eleições de qualquer país.

Muito diferente do tom ameaçador, censor e autoritário com que o Coronel Hugo Chávez, atual mandatário venezuelano, fez ao longo da semana contra a imprensa. Um tom intimidatório que foi condenado pela Associação Internacional de Radiodifusão (leia nota oficial, disponível no site da Globovision, acessando:http://www.globovision.com/news.php?nid=104502)

Mais informações, confira em:http://www.el-carabobeno.com/e_pag_esp.aspx?id=A1
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sábado, 15 de novembro de 2008

República sem censura.


Dia 15 de novembro, data da Proclamação da República, feriado nacional (você já colocou sua bandeira verde-amarela na janela como bom patriota?Rs). E por "república" entendo "coisa pública", como bem me lembro dos meus tempos de escola. E a tal coisa pública, para mim, possui bases cidadãs primordiais.

Entre elas, a liberdade de expressão e de opinião, pois pensamento único e tutela, cabresto ou blá-blá-blá oficial com cartilha do que se pode ou não dizer nunca representaram o livre falar dos contribuintes, dos eleitores, da cidadania. Só representaram os interesses dos que se dizem republicanos, mas trabalham para aumentar suas influências ou mesmo perpetuarem-se no poder. E quem está no poder nunca gostou de críticas, tendo sempre uma tendência à censurar ou mesmo calara opositores.Portanto, natural que para essas cabeças dinossáuricas a World Wide Web (WWW), nossa (de todos) Internet, seja uma grande ameaça.

A Internet portanto, ao dar liberdade de expressão, conexão, colaboração, contato, troca e criação de sites, blogs, comunidades e wikis entre centenas, milhares, milhões de pessoas estimula e ultra-potencializa a liberdade republicana aos extremos. Sim, reconheço que como qualquer atividade humana ela tem abusos e crimes, por certo. Isso faz parte do universo humano - mas lembro que não é a ferramenta em si a culpada, mas o usuário. Nessa linha, o automóvel não pode parar de ser produzido porque causa acidentes ou atropelamentos. Quem o faz são os motoristas. O mesmo ocorre na web.

É perfeitamente justo que se queira banir os spams, fiscalizar lan houses, evitar e banir crimes de pedofilia, cortar redes mafiosas que se escondem no anonimato digital e prevenir fraudes eletrônicas...mas para isso não se pode querer abrir todas as cartas que circulam pelos correios para se conferir seus conteúdos, não é mesmo? Nessa linha de comparação, não se pode criar leis que, além de serem de cumprimento impossível, tornarão suspeitos todos os que navegam, visitam, publicam e compartilham informações via web.

É necessário, então, ainda mais nesta data histórica, você leitor (a) ficar atento para a tramitação em Brasília dos mais de vinte projetos de regulamentação, censura e controle governamental do livre acesso à Internet (Lei da Câmara 89/2003 e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000 e n. 76/2000). Movimentos de nossos legisladores que merecem maior atenção pois podem tornar a colaboração e a livre construção de conhecimento via web, uma completa ilegalidade. Tornando a rede um local suspeito onde a vigilância se fará constante, qual um Big Brother governamental invasivo e - como feito por humanos, passível de abusos de autoridade.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, alguns links abaixo de blogs que estão se manifestando a respeito. E viva a Liberdade!





quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Contra a censura.

Microsoft, Yahoo! e a Google estão numa iniciativa conjunta para garantir a liberdade de expressão. É o que noticiou na edição de hoje, o jornal O Globo.

Segundo a matéria, as empresas se comprometem a minimizar os impactos das ações governamentais contra a liberdade de expressão e opinião existentes em diversos países do mundo. O que hoje em dia não está moleza...reveja uma notícia para deixar qualquer internauta de cabelo em pé acessando: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL396022-6174,00-BRASILEIROS+PROTESTAM+CONTRA+POSSIVEL+BLOQUEIO+DE+BLOGS+NO+WORDPRESS.html

E se quiser conhecer uma instituição que luta pela liberdade de opinião "digital" acesse o site da EFF - está em inglês, mas vale uma visita: http://www.eff.org/about

sábado, 18 de outubro de 2008

Frase da semana.

“Government is not the solution to the problem. Government is the problem.”
(Ronald Reagan)

Declaro meu voto.

Sou contra o preconceito, a intolerância e o obscurantismo. Sou a favor das letras, das idéias, das opiniões e da conversa, do diálogo e a busca do entendimento comum. Não posso pensar numa "cidade partida", nem numa cidade onde se incentive o confronto "zona norte x zona sul". Por isso, acredito na candidatura de Fernando Gabeira para a prefeitura do Rio de Janeiro: para resgatar esse Rio multicultural, cosmopolita, aberto, capital do coração de todos os brasileiros.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Inconstitucional.

Do O Globo de hoje, mais uma na série: a volta de censura.

"Travessuras noturnas cometidas na Alemanha pelo petista, sindicalista, ex-ministro e candidato a prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, relatadas por um ex-gerente da Volks, já haviam sido noticiadas.

Mas o site Folha Online não pôde republicá-las, censurado que foi pela Justiça Eleitoral da cidade paulista, a pedido do candidato.

A decisão é inconstitucional. E mesmo que não resista à instância superior, a agressão à imprensa e ao direito da sociedade de ser informada já foi cometida. Há inúmeros casos desse tipo.

No julgamento final, pelo Supremo, da arguição do deputado Miro Teirxeira contra a validade da Lei de Imprensa, devem ser levados em conta esses sucessivos ataques a um preceito constitucional."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As vidraças são nossas - 3

Como destacam os jornais de hoje, no Brasil, o governo equatoriano expulsou Furnas Centrais Elétricas, estatal brasileira. O governo do Equador argumentou que a empresa foi responsável pela fiscalização das obras da usina San Francisco, feitas pela Odebrecht - que também já tinha sido expulsa do país sob a acusação de irregularidades na construção da hidrelétrica.

O curioso é que Furnas não tem técnicos, nem bens patrimoniais, nem representações no Equador. Ou seja, tudo é uma grande cortina de fumaça envolta em discursos exaltados. Os motivos verdadeiros de toda essa história vão aparecer mais adiante, quando a poeira baixar. Por enquanto, fica o registro de mais uma marca Made in Brasil envolvida nessa crise de imagem internacional...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

As vidraças são nossas - 2

Interessante acompanhar a discussão sobre a ocupação militar da Odebrecht através da imprensa do Equador. É sempre inteligente entender os pontos de vista de cada lado para se tentar soluções amigáveis ou fazer novas leituras de cenários.

Também é interessante: não vi nenhuma foto ter sido veiculada sobre a ocupação nas dependências da empresa, pela imprensa brasileira.

Veja o que escreveu o El Universo, acesse:
E leia também no El Comercio, em "ediciones anteriores", buscando por Odebracht - uma boa cronologia da crise:
http://www.elcomercio.com/buscar_ediciones.asp?fecha=2008/10/7

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Agora, as vidraças são nossas.

Há tempos, lembro ouvir comentários sobre a globalização e o que grandes empresas estrangeiras estavam fazendo no Brasil. Já escutei gente inteligente comentar, com ares de xenofobia, frases como: "A empresa ... está avançando sobre o mercado nacional, é uma marca estrangeira e fica tirando empregos dos brasileiros e ganhando concorrências de empresas verde-amarelas".

Nacionalismos à parte, estamos presenciando hoje uma enorme mudança. Marcas brasileiras 100% nacionais estão indo "globalizar os outros". Como é o caso da Vale, da Gerdau, da Petrobrás, da Votorantim, Camargo Corrêa e da Odebrecht. E agora, parece que nós somos os "vilões imperialistas".

Já tinha escrito sobre a ocupação militar da refinaria da Petrobrás na Bolívia. Agora, parece que seguindo uma cartilha, é o nosso vizinho Equador que mandou suas forças armadas ocuparem uma empresa brasileira, desta vez, a Odebrecht. Inclusive prendendo profissionais da empresa brasileira. É surpreendente, pois não estamos acostumados com esse tipo de coisa acontecendo entre "nações amigas".

Diante destes dois lamentáveis episódios, podemos imaginar um pouco do que se passa quando uma loja do MacDonalds é apedrejada por manifestantes anti-globalização. Agora, as vidraças são nossas e é a nossa reputação que está sendo questionada.

Leia mais acessando: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/09/24/correa_expulsa_odebrecht_e_ocupa_obras_1935648.html

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A censura no Brasil.

" A Associação Nacional de Jornais repudia qualquer mudança no princípio constitucional do sigilo da fonte, conforme foi lamentavelmente proposto pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim" (Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ).

Veja mais: http://www.anj.org.br/sala-de-imprensa/noticias/anj-e-contra-mudancas-no-direito-de-sigilo-de-fonte

A censura nos vizinhos do Brasil - 2

"O que caracteriza o governo de Hugo Chávez é um progressivo e grave enfraquecimento das instituições democráticas encarregadas de proteger os Direitos Humanos" (José Miguel Vivanco - Diretor da Human Rights Watch)

A censura nos vizinhos do Brasil.

O Coronel Hugo Chávez, presidente (ou ditador?) da Venezuela tem adotado, desde 2002, uma sistemática política de intimidação e de tentativa de censura dos meios de comunicação no país.

É, liberdade de imprensa e de opinião não agradam os adoradores da tirania, sejam de esquerda ou de direita.

Opinião.

"A capacidade de Evo Morales e Hugo Chávez de tornarem as coisas difíceis para si mesmos e para o resto do continente é diretamente proporcional à incapacidade brasileira de convencê-los de que os caminhos “bolivarianos” levam apenas ao fracasso das economias, ao dissenso interno, à desestabilização política e a conflitos externos absolutamente desnecessários"(William Waack - site G1).

domingo, 14 de setembro de 2008

Importante.

Mais uma vez cito Eugênio Bucci para lembrar que a tentação da se fazer propaganda política com recursos públicos é um mal a ser combatido por todos os cidadãos e por todos que defendem a liberdade de opinião e expressão. Compartilhando, reproduzo trecho retirado do jornal Estado de S.Paulo, de 11/9/2008 :

"A tentação do auto-elogio com a ajuda de recursos oficiais é uma unanimidade de chumbo na administração pública brasileira. Em todos os governos, em todos os níveis, em todos os partidos. Tanto que se pode aqui arriscar uma generalização: todo governante, posando de vítima da imprensa, de mártir, de mutilado simbólico da guerra da informação, alega que o governo tem, sim, o direito de transmitir à sociedade a sua própria versão de si mesmo, mesmo que para isso precise valer-se de seus próprios meios, ou seja, dos meios públicos. "Só assim vou emplacar a minha agenda positiva", raciocina o governante, que, em geral, superestima os efeitos de sua propaganda. E aí vamos nós. Às vezes de modo acintoso, outras vezes de modo mais discreto, a máquina pública põe-se a trabalhar em prol da imagem de políticos."

Liberdade de Imprensa.



A Bolívia está vivendo dias conturbados. A falta de diálogo entre o governo e a oposição criou dois países divididos. Um estado de sítio foi imposto na Província de Pando e acabou gerando mais repressão política e violentos confrontos entre os próprios bolivianos.

Naturalmente, em situações limite, a verdade é uma das pr imprensa é uma das primeiras vítimas do autoritarismo (seja de esquerda ou de direita). De acordo com O Globo de hoje, simpatizantes de Evo Morales agrediram e ameaçaram jornalistas e cinegrafistas na capital La Paz e na cidade de San Ignácio de Velasco, homens armados invadiram a rádio Juan XXII, da rede Erbol, forçando os operadores a suspender as transmissões.



domingo, 7 de setembro de 2008

Tribunal Superior Eleitoral - os filmes.

É criação da W/Brasil a série de filmes que o Tribunal Superior Eleitoral - TSE está divulgando pela televisão. Os filmes têm como objetivo conscientizar os eleitores a votarem corretamente, uma vez que quatro anos de mandato pode dar muita dor de cabeça caso o eleito seja um mal político: demagogo, incompetente ou coisa pior, um corrupto.

Os filmes inovaram completamente a abordagem da propaganda governamental. Um deles mostra o incômodo de um zumbido interminável na cabeça do eleitor, por quatro anos seguidos - uma tortura. Outro, mostra uma mulher que toda vez que tem pressa, acaba andando em círculos, sem conseguir sair do lugar.

As analogias são fantásticas. Para mim, tanto o TSE quanto a W/Brasil acertaram em cheio.
Tem muita gente comentado os filmes. Ou seja, propaganda de governo pode ser inteligente, bem-humorada e criativa, sem deixar de passar o recado.
Esses dois filmes, entre outros, estão no You Tube e valem uma olhada:

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Olimpíadas chinesas 2.


Olimpíadas chinesas.

Como o mundo inteiro sabe, a China é um país cujo regime comunista governa com mão de ferro a vida de seus cidadãos. A abertura econômica do país possibilitou o florescimento de uma classe média capaz de consumir nos mesmos moldes da sociedade americana, mas as liberdades de expressão, pensamento e opinião são controladas, monitoradas e censuradas. Quando não geram uma visita da polícia e um convite à delegacia mais próxima, ou coisa muito pior.

Nesta data festiva (hoje foi a grande abertura das Olimpíadas), uma equipe de jornalistas do SBT recebeu uma dessas "visitas" policialescas após acessarem a Internet. A equipe visitava um site de uma campanha pelos Direitos Humanos na China. A campanha de comunicação utilizava imagens de modalidades esportivas para denunciar o patrulhamento ideológico, a prisão e a tortura de presos políticos contrários às diretrizes do PC chinês.

As imagens são bastante fortes e brutais, não menos do que as atitudes de um regime totalitário.
A campanha é assinada pela Anistia Internacional.

domingo, 20 de julho de 2008

"Obrigado por fumar".

"Obrigado por fumar" é um filme que aborda de maneira inteligente e satírica a atuação de um public relations, porta-voz da uma fábrica de cigarros.

Um filme que vale a pena ser visto pois aborda questões éticas de um profissional que vive os dilemas de sua profissão e a educação de seu filho.Politicamente incorreto, consegue ser bem humorado ao trazer situações do universo corporativo, sem ser ideologicamente doutrinário.
Vale também para o debate sobre a legalização do lobby no Brasil, causa defendida abertamente por algumas empresas e apoiada por este blogueiro que vos escreve.

Comunicação política - 4

Um livro que recomendo para quem quiser se aprofundar em comunicação política no Brasil é "Lobby. O que é. Como se faz." de Said Farhat. Publicado pela ABERJE Editorial em conjunto com a Editora Peirópolis é uma aula de história e uma publicação fundamental para quem deseja ver o exercício do lobby discutido às claras em nosso país.

E por falarmos em comunicação política, a ABERJE lançou o Programa Internacional em Relações Governamentais, durante o primeiro encontro de seu Comitê ABERJE de Relações Governamentais, ocorrido em junho passado.

O curso é inédito e terá parceria da George Washington University e Jedi Group.O Programa acontecerá dividido em:
Módulo 1 - 7 de novembro - Estratégias e Comunicação Políticas
Módulo 2 - 8 de novembro - Empresas, Política e Risco Político
Módulo 3 - 21 de novembro - Lobby & Defesa de Interesses
Módulo 4 - 22 de novembro - Negociação Política

Veja mais em: http://www.aberje.com.br/ e agende-se!

Comunicação política - 3

A sociedade civil organizada possui hoje uma enorme influência nos rumos da nação brasileira. Se a impensa é considerada como um quarto poder, os movimentos sociais e as ONGs já possuem peso considerável nessa balança e se destacam como um quinto fator de pressão.O fato a ser analisado são as ações de alguns grupos organizados que, nunca antes na história deste país, protagonizaram tantas ações direcionadas contra as empresas privadas, numa declarada desobediência às leis.

Um exemplo é a atividade do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra cujas reivindicações originais e legítimas a favor da reforma agrária, deram lugar a atos de extrema violência. Sou a favor do diálogo entre empresas e seus diferentes públicos que formam a rede social. Acredito que a civilização pode caminhar para um futuro melhor através do entendimento e do esclarecimento. Mas, quando a violência e a intolerância ocupam o lugar da mesa de negociação o único caminho possível é a exigência do cumprimento da lei por parte das autoridades.

Numa rápida busca na imprensa, sobre as últimas empresas atingidas por ações do MST temos desde ferrovias da Vale, obras da Odebrecht, fábricas da Bunge, usinas da Cemig, laboratórios da Aracruz e fazendas da VCP entre outras.Já uma visita ao site do MST é uma aula de comunicação política e organização. Desde discursos, biblioteca e vídeos até uma lojinha de brindes da "reforma agrária" (tem bandana e porta passaporte entre outros gifts) o site dá uma mostra do uso inteligente da comunicação de maneira estratégica para a conquista dos objetivos da entidade. O MST usa os ensinamentos do marketing e do branding para motivar e engajar seus colaboradores!

A ironia, contudo, é que não vejo, até o momento, nenhuma empresa se organizar em conjunto com outras para discutir ou mesmo pressionar as autoridades oficiais a fim de preservarem suas instalações e suas atividades.Relendo o livro "Lobby. O que é. Como se faz." de Said Farhat e publicado pela ABERJE, transcrevo trecho que considero importante para a análise deste cenário:

"A mudança obtida por via revolucionária é precedida, ou seguida, de intensa mobilização da opinião pública, para consolidar, ou modificar, conceitos anteriores e substituí-los pela nova "verdade oficial". A batalha mais importante das revoluções é sempre a conquista da aceitação do povo, ainda que passiva, mas dada como comprovante de sua legitimidade."

Ou seja: estamos diante da conquista de corações e mentes. Para qual lado a opinião pública vai pender?Quem quiser saber mais, basta visitar os links abaixo e ler os posicionamentos de algumas empresas diante das invasões do MST ou mesmo informações sobre este conflito de interesses:
http://www.cemig.com.br/conselho/ata/ata57.asp
http://www.vale.com/saladeimprensa/pt/releases/release.asp?id=18270
http://www.vale.com/saladeimprensa/pt/releases/release.asp?id=18208
http://www.bandrs.com.br/noticias/index.php?n=6587&p=1&PHPSESSID=1cfb828109ce8a6ef80d510efceb2cde
http://www.aracruz.com.br/show_press.do?act=news&id=1000476&lang=1
http://www.aracruz.com.br/show_press.do?act=news&id=1000326&lang=1

Comunicação política - 2


Comunicação Política - 1

Qualquer opinião traz em si uma postura ideológica, cultural ou política. Ninguém vive, convive e conversa sem ter em mente a sua visão de mundo. Nossa visão de mundo molda nossa comunicação.Natural. Humano.

Nessa linha de raciocínio, podemos dizer que a comunicação social também é um comunicação política, afinal, se o "social" tem relação com o que vive em sociedade, a "pólis" é a comunidade organizada, formada por cidadãos. Portanto, quase sinônimos.

Por isso, vou falar nos próximos posts sobre a comunicação de cunho política, sobre o lobby e as formas de pressão populares em curso no mundo e no Brasil, que, é claro, afetam a vida dos comunicadores empresarias.

Vejam, por exemplo, a campanha criada pela agência SANCHO BBDO na Colômbia. Contra as FARC - Forças Armadas Revolucionárias, a agência criou uma ação nos pontos de ônibus para convocar a população para uma marcha contra o grupo guerrilheiro. As imagens estão na sequência.

Charge.


Indústria de cimento na Venezuela.

Falando em democracia, aproveito e relembro uma notícia que merece atenção: a Venezuela anunciou a estatização da indústria de cimento. Diante disso, penso, em primeiro lugar, nos profissionais da CEMEX, da Holcim e da Lafarge e nas suas famílias. Como fica a cabeça dessa turma diante da nova mudança?Porque a indústria de cimento venezuelano foi privatizada há anos e ao retornar ao controle governamental dá uma guinada de 180 graus.

O que posso dizer é que, com certeza, a confiança foi a primeira vítima dessa atitude. Contratos rompidos, valores, ética e transparência, atingidos. Política e ideologia tomando assento nas reuniões da administração: o mercado gerido por decretos e pela vontade de um governante pode funcionar?

Não, não é fácil a vida da equipe de comunicação institucional (interna e externa) numa hora dessas. O véu da censura e do patrulhamento ideológico pesando sobre o ambiente de trabalho trazendo o silêncio como o conselheiro. O que me lembra Armando Falcão, Ministro da Justiça nos tempos da ditadura militar brasileira e sua famosa frase: "Nada a declarar".

Livro.

No meu entender o acesso às informações, a transparência, a comunicação e a abertura de canais de diálogo na gestão do patrimônio público são antes de tudo, direitos do cidadão. Censura e "pressão política" por parte dos mandatários eleitos (ou mandatários concursados) dos Três Poderes e dos gestores das empresas estatais é uma questão perigosa quando o assunto envolve dinheiro de impostos. Quando o assunto se refere à gestão do patrimônio público.

Por isso, destaco uma citação do livro "Em Brasília, 19 horas" de Eugênio Bucci, ex-Presidente da Radiobrás: "Pode haver a mínima ética jornalística numa empresa cuja administração seja controlada pelo Governo? É claro que não. Para que o jornalismo seja viável, o governo deve ser mantido a quilômetros de distância da redação".

De acordo com matéria do jornal O Globo (edição de 05 de abril de 2008) o livro conta os bastidores da luta para que a Radiobrás fizesse jornalismo e não propaganda oficial. Ou seja, uma saudável e necessária discussão sobre a comunicação pública e sua transparência num país democrático.


Compromisso e coerência.

Como você, profissional, está cumprindo a promessa da marca da empresa na qual trabalha e que você representa? Você, profissional, acredita na promessa da empresa na qual você trabalha?


A palavra COMPROMISSO tem sido bastante utilizada para costurar, de certa forma, as respostas às perguntas acima.

A comunicação pode ajudar bastante na construção do engajamento da equipe, com o cumprimento da promessa representada pela marca. Mas o que vai funcionar de verdade para que o tal compromisso aconteça é a gestão ser a prática do discurso. O walk the talk é o pilar mestre da coisa toda. E as ações da liderança serão os exemplos que vão garantir a coerência entre o que se prega e o que se faz.

Fora isso, a comunicação será como uma embalagem linda, ricamente adornada, esteticamente perfeita, mas com um conteúdo vazio. A promessa só será cumprida quando os valores éticos estiverem sustentando os valores estéticos.

Escrevi este post pensando no McDonalds que está apoiando as Olimpíadas na China, cujo governo tem perseguido e oprimido o povo tibetano. Além disso, o Governo Chinês não permite a liberdade de expressão e a própria China é considerada campeã mundial em número de presos políticos, não permitindo qualquer liberdade de expressão por parte de seus cidadãos.

No site: http://www.amomuitotudoisso.com.br/ nós podemos ler, como valores da empresa, dois pontos totalmente contraditórios com o apoio da rede de fast food às Olimpíadas de Pequim, promovidas por um governo ditatorial. Estão lá: "Conviver de forma positiva com a diversidade de opiniões" e "Promover atitudes que reforcem a consciência e a prática da cidadania, dentro e fora da empresa".