terça-feira, 28 de agosto de 2012

Na sociedade do espetáculo e do consumo, tudo torna-se mercadoria, produto. Tudo transforma-se em um fait diver efêmero, fugaz. O que importa hoje, amanhã já será uma velharia esquecida pelo lançamento de mais uma novidade. Parece que vivemos num eterno presente, numa corrida para o futuro. Sem memória e sem nos importarmos muito com isso.

Em todo caso, é sempre bom divertir-se nessa jornada (bom humor é fundamental contra o estresse)  e, quem sabe, aproveitar as ofertas disponíveis. Uma vez que estamos inseridos neste sistema e como até mesmo os Governos ditos "de esquerda" incentivam o consumismo como meio de alavancar a produção e o crescimento econômico, que mal existe em comprar umas bugingangas a mais ou a menos?

Os ingleses da REINCUBATE, uma companhia de tecnologia renovaram os apelos do movimento KEEP CALM AND CARRY ON e criaram um negócio virtual que segue essa lógica: a novidade desta semana pode ser estampada junto com a logo dessa fábrica digital de brindes, lembranças e quinquilharias. Uma delas, utiliza o bordão dos funcionários públicos grevistas "Negocia Dilma" para ilustrar canecas, chaveiros e camisetas variadas. Tudo com preços acessíveis pelo seu credit card.

Como se vê, até os movimentos de contestação política e reivindicação de direitos já viraram suco e ganharam seu espaço nas gôndolas do consumismo. E sabem de uma coisa? Vou comprar minha camiseta vermelha com essa estampa. Afinal, quem sou eu para contestar o sistema?

sábado, 25 de agosto de 2012

Greve: quando a conversa termina mal.


As greves não começam de uma hora para outra. Quem já esteve na mesa de negociação de um acordo coletivo, sabe que o papel de qualquer sindicato é tentar conquistar os maiores reajustes possíveis. Este é o trabalho deles e a pauta de pedidos e reivindicações é sempre grande o suficiente para ter gorduras que serão queimadas ao longo das conversas.
 
Mas greve é sinal de que a conversa acabou. E quando a conversa termina e o diálogo vira monólogo de surdos, a greve acontece. No caso dos servidores públicos, quem mais sofre é o cidadão. Porque nessa guerra entre trabalhadores, movimentos políticos e Governo, o lado mais fraco é o do contribuinte. Por isso, as táticas de comunicação são muitas: todos precisam mostrar seus pontos de vista e buscar aliados. Lamentavelmente, algumas táticas funcionam até além da conta, como pichar um monumento turístico para chamar a atenção sobre uma causa ou mesmo parar o trânsito numa ponte entre duas cidades, com milhares de pessoas presas no trânsito por horas a fio.
 
Se tudo comunica, não só as palavras de ordem ou as de apoio geram percepções favoráveis ou negativas. No calor das manifestações, alguns tolos mais exaltados podem colocar em xeque todo um movimento legítimo de protesto. Os atos de vandalismo explícito e desrespeito também formam opiniões.  Se o silêncio pode comunicar a indiferença, a brutalidade de certos sujeitos vai comunicar muito mais: mostram que alguns querem que seus direitos sufoquem os direitos dos outros, sem culpa e sem limites.