sábado, 20 de dezembro de 2008

A marca da Prefeitura - 2.

E para marcar a nova administração municipal, o prefeito Eduardo Paes, sucessor eleito de César Maia já divulgou a "nova marca" do Rio. Agora fica "tudo azul".

Ou seja, a guerra é pela percepção. Entendo, faz parte. Comunicação tem sua forma e seu conteúdo. Mas o mais importante não é a bandeira, a placa, a marca ou a cor. O mais importante é administrar direito uma cidade como o Rio de Janeiro.

Vamos ficar na torcida e alertas. Para que tudo fique "no azul" de verdade e não só nos símbolos e no imaginário.


A marca da Prefeitura.

A administração do prefeito César Maia ficou marcada por várias obras (acabadas e inacabadas), promessas (cumpridas e outras esquecidas) e, é claro, pela cor laranja que o alcaide emplacou já na sua primeira adminsitração.

Mas a cor não importa, para mim o que importa é a cidade. Sua administração. Contudo, entendo que o ato e o efeito de "marcar" acaba por transmitir uma percepção, uma lembrança, uma memória. Isso funciona no mundo das marcas empresariais e comerciais e, como no universo humano tudo é simbólico (ou "tudo é político" como diz um sociólogo amigo meu) - também funciona para a administração pública.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Defesa dos Direitos Humanos.

Visitei o site da RFK - Center for Justice and Human Rights. Confesso: fiquei influenciado pelo discurso ao final do filme "Bobby" de 2006, enredo que conta os últimos instantes antes do assassinato do senador Robert Kennedy, nos EUA.

Mas não somente por isso. Acredito que a defesa dos Direitos Humanos é uma luta diária. Já tinha escrito isso aqui. Fazer frente à violência, à intolerância, à repressão e aos discursos de tintura popular (mas que na verdade camuflam tendências ao autoritarismo) é um trabalho árduo, uma atitude que não pode parar. Essa ONG busca isso, em qualquer lugar do mundo, apóia pessoas e movimentos nesta missão.

Na verdade, o que me incomodou muito foi ver a recepção calorosa de nosso Presidente, eleito democraticamente, ao ditador cubano, o general Raul Castro. Figura que, junto com seu irmão Fidel, derrubou uma ditadura para implantar outra. Igualmente corrupta e violenta. O mais engraçado: muitos na imprensa chamam o tirano de "Presidente". Meus colegas de profissão temem dizer o adjetivo correto: ditador. Ponto.

Mas, o futuro avança e até mesmo a ilha caribenha e seu povo sofrido ficarão livre dos dois déspotas em breve. Ninguém vive para sempre, ainda bem. Aí ,então, saberemos quantos foram perseguidos por discordar de seus comandantes, quantos foram os inocentes que terminaram no "paredón" por terem opiniões opostas ao regime, quanta gente teve sua vida vasculhada por arapongas. Saberemos enfim, quantos crimes contra os Direitos Humanos foram praticados.

Ética e mídia, mídia e ética...

O professor Clóvis de Barros Filho, livre-docente da ECA-USP e da ESPM SP, fez uma "aula aberta" sobre seu livro “Ética na Comunicação” (Editora Summus) na Casa do Saber (Jardins - SP).

O livro aborda como é feita a disseminação e a recepção das notícias em uma época permeada pelos excessos informativos: de e-mails, celulares, da televisão, do rádio e questiona a grande mídia, principalmente, no seu método "objetivo' de análise de conteúdos.

Quem já viu uma palestra de Clóvis sabe como o mestre é contagiante com seu discurso que como ele mesmo já disse "pode jogar pedra pra todo lado".

domingo, 14 de dezembro de 2008

A vida dos outros.


Domingo chuvoso no Rio e como bom carioca, fico em casa meio deprimido diante do tempo cinzento. Aproveito e revejo um filmaço: "A Vida dos Outros" ("Das Leben der Anderen" - título original em alemão).

O filme narra uma história real acontecida durante o regime comunista da Alemanha Oriental. Um casal de artistas fica sob vigilância de arapongas e escutas telefônicas que procuram possíveis movimentos de oposição ao regime político dominante e totalitário. O filme é uma obra imperdível pois nos faz lembrar que a vida dos cidadãos sob regimes de excessão não vale nada. E que a liberdade de expressão e de opinião (direitos humanos fundamentais, entre outros) são considerados alta traição.

Para conhecer mais, acesse o trailler:
http://www.youtube.com/watch?v=n3_iLOp6IhM
e veja também a cena onde os arapongas da Stasi (polícia política) instalam as escutas telefônicas. Acesse e aproveite para agradecer a democracia que temos no Brasil (com todas as sua falhas):
http://www.youtube.com/watch?v=1kYNK5PjoZ0&feature=related

sábado, 13 de dezembro de 2008

Imagens que falam.


Demorei um pouco para colocar este post no ar, mas valeu a espera: a capa da Folha de São Paulo de 2 de dezembro passado é um primor jornalístico. Manchete e imagem se integram e reforçam não somente a mensagem principal (os EUA estão em recessão), mas vão além.

A escolha da foto de Obam e Hilary deixando a coletiva de imprensa com um fundo escuro à frente é um primor do fotojornalismo. Os dois, juntos, têm pela frente um quadro negro, uma realidade difícil...talvez um túnel onde até agora não haja luz no final.

Parabéns aos editores!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Direitos Humanos.

Há 60 anos era assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ou seja, hoje é uma data importante para a humanidade e para nosso futuro. Como qualquer lei, norma ou diretriz, tudo fica muito "perfeito" no papel e no discurso, mas na prática a coisa muda de figura e as dificuldades de entendimento entre as pessoas se fazem mais presentes. É por isso que neste blog de comunicação política e governamental era impossível não registrar a data.

Todos nós devemos conhecer e nos engajar na defesa dos artigos publicados na declaração: sociedade, governos, empresas, cidadãos. Trata-se de uma verdadeira luta entre a civilização e a barbárie, entre o esclarecimento e o obscurantismo - luta diária, construção contínua.

Eis aí, os artigos:

Artigo I.
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo II.
1.
Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Artigo III.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV.
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V.
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI.
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo VII.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII.
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X.
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI.
1.
Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII.
Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII.
1.
Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV.
1.
Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV.
1.
Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
2.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI.
1.
Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2.
O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
3.
A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.
Artigo XVII.
1.
Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.
Artigo XIX.
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX.
1.
Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.
2.
Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI.
1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2.
Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3.
A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII.
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
.1.
Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2.
Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3.
Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4.
Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV.
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Artigo XXV.
1.
Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2.
A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI.
1.
Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2.
A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3.
Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII.
1.
Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
2.
Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XXVIII.
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIX.
1.
Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2.
No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3.
Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Veja mais:http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

As vidraças são nossas - 4

Grandes obras, muito dinheiro, políticos fanfarrões e lobby pesado para ver quem substituiu quem numa revisão (ou cancelamento) de contratos é o pano de fundo de um verdadeiro ataque à certas empreiteiras brasileiras que operam em países vizinhos ao nosso.

O Equador já havia expulsado a Odebrecht e agora é a Bolívia (que já tinha ocupado militarmente a Petrobrás) que está dando um ultimato à construtora Queiroz Galvão. O governo boliviano exige que a empresa apresente uma proposta técnica para a conclusão de um estrada que segundo parecer técnico possui falhas de estrutura na obra.

Convido você leitor(a) a ficar atento(a) e aguardar o próximo lance desse xadrez latino-americano porque as vidraças, agora, são nossas. As pedras estão voando para cima das marcas Made in Brazil.